A atriz Berta Loran, considerada uma das grandes damas da comédia no Brasil, faleceu no domingo (28), aos 99 anos, no Rio de Janeiro. Internada há alguns meses em um hospital particular, a causa da morte não foi divulgada. A confirmação foi feita pela instituição de saúde.
“O Hospital Copa D’Or informa, com pesar, o falecimento da senhora Berta Loran na noite de domingo (28/9) e se solidariza com a família, amigos e fãs por essa irreparável perda. O hospital também informa que não tem autorização da família para divulgar mais detalhes”, dizia o comunicado.
Nascida em Varsóvia, na Polônia, sob o nome de Basza Ajs, Berta veio ao Brasil ainda criança, fugindo do nazismo com sua família judia. Aqui, adotou o nome artístico pelo qual se tornaria conhecida e, já no Rio de Janeiro, iniciou sua trajetória artística ao lado da irmã, em apresentações voltadas para a comunidade judaica.
Na década de 1950, brilhou no teatro de revista e, mais tarde, na televisão. Contratada pela Globo a convite de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, Berta tornou-se presença marcante em programas de humor como Balança, Mas Não Cai (1968), Escolinha do Professor Raimundo (1990–1995) e Zorra Total (1999–2015).
A atriz também integrou o elenco de ‘Faça Humor, Não Faça Guerra’ (1971–1973), produção inovadora que mudou o estilo da comédia na TV.
Parceira frequente de Chico Anysio, Berta deu vida à inesquecível Manuela D’Além Mar na primeira versão da Escolinha. Anos depois, retornou ao humorístico no papel de Sara Rebeca, uma judia portuguesa.
“O artista, para fazer humor, ele nasce com isso. O artista nasce comediante. Para fazer humor, antes de mais nada, o humorista nunca deve rir. Humorista que conta uma piada, tem que ter o ritmo certo. Ritmo do Chico Anysio, o ritmo certíssimo. De um Jô Soares, de um Agildo Ribeiro [1932-2018]”, declarou.
Embora mais conhecida pelos papéis em humorísticos, Berta também teve participações marcantes em novelas e minisséries, como Amor com Amor se Paga (1984), Chiquinha Gonzaga (1999), Cama de Gato (2010) e A Dona do Pedaço (2019), seu último trabalho na TV.
Nos palcos, sua paixão pela atuação se manteve ao longo das décadas, em produções como O Peru (1963), Alegro Desbum (1973), Tropicanalha (1989) e Até que as Sogras nos Separem (1999).
Nos últimos anos, a artista se afastou da vida pública, recusando entrevistas e evitando aparições. Seu centenário seria celebrado em março de 2026.
“Nesse programa, paramos com exageros, passamos a interpretar o tipo, mas falando com naturalidade. Sem falar alto demais, gritar, porque o microfone captava muito bem. E mudou o jeito de representar, que eu achei maravilhoso. Era como se fosse cinema americano”, recordou em entrevista ao Memória Globo.
Foto: divulgação; Fonte: Notícias da TV