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Meta testa óculos de IA que monitoram tudo o que o usuário vê e ouve

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A Meta está desenvolvendo uma nova geração de óculos com inteligência artificial capazes de monitorar o ambiente ao redor do usuário por meio de câmeras e microfones. Segundo reportagem do Financial Times, o projeto, conhecido internamente como “super sensores”, amplia significativamente as capacidades dos atuais dispositivos da empresa.

O projeto representa uma evolução dos atuais óculos inteligentes da Meta, usados por milhões de pessoas para ouvir músicas e podcasts, realizar chamadas, tirar fotos, gravar vídeos e acessar o assistente Meta AI sem utilizar as mãos.

De acordo com o Financial Times, o sistema em desenvolvimento registraria imagens a cada poucos segundos e captaria áudio continuamente. Em vez de armazenar as gravações completas, a tecnologia extrairia metadados das imagens e do som e enviaria essas informações aos servidores da Meta, onde seriam utilizadas pela IA para reconstruir eventos e responder a consultas do usuário sobre sua rotina.

A reportagem afirma ainda que uma das principais mudanças em discussão é a possibilidade de o recurso funcionar sem acionar o LED branco localizado na armação dos atuais óculos Ray-Ban Meta. Hoje, essa luz serve para indicar às pessoas próximas que fotos ou vídeos estão sendo gravados.

Caso o indicador permaneça apagado durante o funcionamento do “super sensor”, outras pessoas teriam mais dificuldade para perceber que estão sendo filmadas. As fontes ressaltam, porém, que os planos ainda podem ser alterados e que parte das funcionalidades poderá chegar aos modelos atuais por meio de uma atualização de software.

A Meta não comentou os detalhes do protótipo ao Financial Times. Em nota enviada ao jornal, afirmou apenas que não comenta “protótipos internos” e que sua estratégia continua baseada no princípio de “privacidade integrada desde o início” (“privacy by design”).

Em seu site oficial, a empresa reforça que os atuais óculos inteligentes foram desenvolvidos com mecanismos para aumentar a transparência durante o uso da câmera. Segundo a Meta, fotos e vídeos permanecem armazenados de forma privada no dispositivo até que o usuário decida importá-los para o celular, sendo compartilhados apenas se houver autorização do proprietário.

A empresa também explica que todos os atuais óculos possuem um LED de captura que pisca sempre que uma foto ou vídeo está sendo gravado. De acordo com a Meta, esse indicador não pode ser desligado e foi projetado justamente para informar às pessoas ao redor quando a câmera está em funcionamento.

Ainda segundo a companhia, os dispositivos contam com mecanismos para impedir adulterações. Caso o LED seja coberto ou bloqueado, a câmera é automaticamente desativada. A Meta afirma ainda que atualizou seus sistemas para detectar danos físicos ao indicador luminoso, impedindo novas gravações caso o componente tenha sido modificado. A empresa também informa que remove anúncios e ofertas de serviços que prometem desativar o LED e pode banir contas ou adotar medidas legais contra quem comercializa esse tipo de alteração.

A reportagem do Financial Times afirma que o desenvolvimento dos chamados “super sensores” ocorre enquanto o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, defende que os óculos inteligentes poderão substituir os smartphones como principal interface para acessar assistentes de inteligência artificial. O jornal também informa que a empresa avalia utilizar dados coletados pelos dispositivos para treinar seus modelos de IA e que o projeto já provoca discussões internas sobre privacidade e riscos regulatórios.

Especialistas ouvidos pelo Financial Times alertam que dispositivos capazes de captar continuamente áudio e imagens podem enfrentar desafios legais relacionados à proteção de dados, ao uso de informações biométricas e às leis que restringem gravações de terceiros sem consentimento. Para eles, a popularização dessa tecnologia poderá exigir novas regras específicas para dispositivos vestíveis equipados com inteligência artificial.

Os óculos inteligentes se consolidaram como um dos produtos de maior sucesso da Meta. Em 2025, a companhia vendeu cerca de 7,3 milhões de unidades dos Ray-Ban Meta, superando, pela primeira vez, as vendas anuais de seus headsets de realidade virtual.

Fonte: R7 – Foto: Reprodução Meta

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