Na política, nada é imutável. A onda de transformações, que vem ocorrendo na Europa, entrou em uma nova etapa com a reunião de cúpula da UE (União Europeia), realizada entre as últimas quinta-feira (14) e sexta-feira (15) em Bruxelas.
A liderança de Angela Merkel, primeira-ministra da Alemanha, já começa a ser transferida para o emergente Emannuel Macron, eleito no meio do ano presidente francês.
Ele terá muito trabalho para desfazer antigas políticas da França, que visavam apenas ao próprio interesse do país, mas, com seu cacife político e a imagem de jovem inovador, é a personalidade com maior potencial para reverter tal histórico.
O Reino Unido, por sua vez, participou já com uma imagem enfraquecida em relação às outras potências europeias, principalmente do ponto de vista político.
O bloco agora não faz restrições à saída do país, justamente em um momento em que as negociações pelo Brexit têm causado atritos no Parlamento inglês, deixando a primeira-ministra Thereza May em situação complicada.
Na reunião, os líderes discutiram diversos temas, definindo um pacto para a formação de um futuro Exército unificado, com um mesmo orçamento. E também planejaram o período de transição e um futuro acordo comercial com outros blocos, inclusive com o Reino Unido. Todas essas ideias, vale ressalvar, têm o aval de Macron.
Neste sentindo, os países-membros tentaram ajudar a reconstruir o prestígio de May, que foi aplaudida quando afirmou que está no caminho de entregar o Brexit. Ela obteve o apoio da UE para acelerar as negociações para a saída, após os deputados de seu país terem definido, nesta semana, que qualquer decisão sobre o tema tem de passar pelo Parlamento britânico. O bloco europeu, em seu auxílio, decidiu avançar para a segunda fase das conversas sobre o Brexit.
Presente na reunião, a chanceler Merkel, desde as eleições federais de setembro último na Alemanha, perdeu força na atual condução da UE, por ainda correr o risco de deixar o comando do governo, após a saída dos liberais e dos verdes de sua aliança no Parlamento. Ela tenta evitar novas eleições, buscando a aliança com os sociais-democratas do SPD (centro-esquerda).
De qualquer maneira, tem evitado dar declarações em favor da continuidade da acolhida aos refugiados e de uma expansão da UE, pressionada pelo discurso xenófobo e de extrema-direita da Alternativa para a Alemanha (AFD).
Neste cenário, Macron surge como o fiel da balança, ocupando, com um discurso ousado e conciliatório, o papel momentâneo de liderança. No último dia 12, ele comandou conferência sobre o clima, em Paris, e iniciou uma campanha para efetivamente arrecadar fundos para o combate ao aquecimento global.
Em questões diplomáticas, ele também tem se destacado, aproveitando o fato de ser um político novo e independente. Costurou, por exemplo, o retorno do premiê libanês Saad Hariri ao Líbano, após este renunciar e deixar o país alegando estar se sentindo ameaçado por opositores iranianos e do Hezbollah.
Macron, do partido independente Em Marcha!, inclusive foi à Arábia Saudita, para onde Harari viajou, e conversou com o príncipe herdeiro Mohammad bin Salman, sobre questões diplomáticas e comerciais.
Além disso, mostra-se aberto a negociações com o Catar, que está sob bloqueio saudita, deixando claro que quer também assumir um papel de conciliador no Oriente Médio. Em um período de framentação ideológica, Macron quer ocupar um espaço vazio e se tornar, enfim, o estadista de que o mundo tanto precisa neste momento.