Campanha

Lula destina R$ 2 milhões a influenciadores e artistas em propagandas de governo

Noticiado em

A Secretaria de Comunicação Social (Secom) do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembolsou aproximadamente R$ 2 milhões desde 2025 para contratar influenciadores digitais e personalidades artísticas em ações publicitárias.

A política foi intensificada após a chegada de Sidônio Palmeira ao comando da pasta, conforme reportagem da Folha de SP.

Entre os maiores valores pagos, destacam-se a atriz Dira Paes (foto), que recebeu R$ 470 mil por participação na campanha do aplicativo Celular Seguro, e o carnavalesco Milton Cunha, contratado por R$ 310 mil para divulgar o programa Agora Tem Especialistas, do Ministério da Saúde.

Além dessas contratações, ao menos 55 influenciadores digitais receberam cachês que variaram de R$ 1 mil a R$ 124,9 mil para produzir conteúdos sobre iniciativas do governo ou protagonizar peças publicitárias desenvolvidas por agências contratadas pela Secom.

Um exemplo é o apresentador João Kleber, que participou de uma campanha intitulada “Teste de Fidelidade ao Brasil”, com apoio do Kwai — empresa que recebeu cerca de R$ 19,5 milhões em publicidade institucional no último ano.

Em nota ao  jornal paulista, a Secom justificou a estratégia afirmando que a contratação de influenciadores acompanha a mudança no comportamento do público, que tem aumentado o consumo de conteúdo nas redes sociais e o engajamento com criadores digitais.

Segundo a pasta, os pagamentos são realizados dentro do orçamento de produção das campanhas, por meio de agências previamente licitadas.

A atual política representa uma mudança em relação à gestão anterior da própria Secom, comandada por Paulo Pimenta (PT), que afirmou em 2023 que o governo não trabalhava com “influenciadores pagos”.

Sob a nova direção, mais de 30% da verba publicitária passou a ser direcionada a plataformas digitais, ante cerca de 20% anteriormente.

No último ano, esse segmento recebeu pelo menos R$ 234,8 milhões de um total de R$ 681 milhões investidos em publicidade por órgãos federais.

Os dados detalhados sobre os pagamentos foram obtidos pela Folha por meio da Lei de Acesso à Informação. Inicialmente, a Secom havia divulgado apenas os nomes dos contratados, mas, após decisão da Controladoria-Geral da União (CGU), os valores também foram tornados públicos.

Entre os influenciadores, o maior montante foi pago ao professor e comediante Matheus Buente, que recebeu R$ 124,9 mil por conteúdos sobre temas como a saída do Brasil do Mapa da Fome e o sistema Pix.

Outros nomes contemplados incluem Morgana Camila (R$ 119,25 mil), Vitor DiCastro (R$ 90 mil), Anaterra Oliveira (R$ 50 mil) e Rodrigo Góes (R$ 50 mil). Já Gabriela Ferreira, Giovana Fagundes e Matheus Sodré receberam R$ 40 mil cada.

No caso da influenciadora Laura Sabino, a Secom informou pagamento de R$ 40 mil por quatro vídeos, mas ela contestou o valor divulgado, sem detalhar o montante correto, explica o jornal paulista.

A Secom também ampliou, em 2025, o acesso de criadores digitais ao sistema Midiacad, plataforma que reúne veículos aptos a receber publicidade federal.

Para participar, é necessário apresentar dados de audiência e relatórios de desempenho, além de seguir orientações da pasta, como a recomendação de que o conteúdo seja autêntico e transparente.

Com a ampliação do uso de influenciadores, o governo aposta em novas formas de comunicação para alcançar o público digital, enquanto os dados coletados e os resultados dessas campanhas devem orientar as próximas estratégias institucionais.

Fonte: Folha de SP – Foto: Divulgação

Mais popular

Copyright © 2016 - Portal S1 Todos os direitos reservados.