Escândalo Financeiro

Irmão de Dias Toffoli se manifesta sobre resort Tayayá

José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, declarou na quinta-feira (22) que a Maridt Participações, empresa pertencente aos irmãos do magistrado, não integra mais o quadro societário do resort Tayayá, empreendimento de alto padrão localizado em Ribeirão Claro, no interior do Paraná.

Segundo ele, a empresa chegou a deter um terço da participação no resort, mas essa fatia foi alienada em duas etapas. Em nota, José Eugênio informou que a primeira venda ocorreu em 27 de setembro de 2021, quando parte das cotas foi repassada ao Grupo Arllen.

A segunda transação foi concluída em 21 de fevereiro de 2025, com a venda do restante da participação para a PHD Holding. De acordo com o empresário, todas as operações foram devidamente informadas à Receita Federal.

Na negociação realizada em 2021, o fundo Arllen adquiriu a participação por mais de R$ 3 milhões. O grupo é controlado pela Reag, gestora de investimentos ligada ao Banco Master, que se tornou alvo da operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis envolvendo o PCC (Primeiro Comando da Capital) e outras empresas do sistema financeiro.

A Reag também aparece em apurações relacionadas ao Banco Master. Um relatório do Banco Central, encaminhado ao Tribunal de Contas da União (TCU), apontou que fundos administrados pela gestora teriam estruturado operações consideradas fraudulentas junto à instituição financeira nos anos de 2023 e 2024.

A venda realizada pelos irmãos de Dias Toffoli, no entanto, ocorreu em 2021, antes de surgirem suspeitas sobre a atuação da Reag. O ministro do STF é relator do inquérito que investiga o caso Master, incluindo possíveis conexões entre o banco e a gestora.

Após a transação de setembro de 2021, a família Toffoli e o fundo Arllen permaneceram como sócios do Grupo Tayayá até 2025, quando os irmãos do ministro venderam a participação remanescente. O Arllen, por sua vez, deixou o empreendimento em julho do mesmo ano.

O resort Tayayá passou a ser citado com frequência no noticiário por ter contado, entre seus acionistas, com irmãos e um primo de Dias Toffoli. No fim de 2025, o controle do empreendimento passou para Paulo Humberto Costa.

Reportagens assinadas pelos jornalistas Paulo Ricardo Martins e Lucas Marchesini apontaram que o ministro continuou visitando familiares no local mesmo após a mudança no controle societário.

A maioria das visitas teria ocorrido durante o recesso do Judiciário, nos meses de janeiro, julho e dezembro. O complexo inclui também um condomínio residencial, onde Toffoli possui uma unidade. O resort fica no norte do Paraná, a cerca de 130 quilômetros de Marília (SP), cidade natal do ministro.

O caso Master também gerou outra ligação envolvendo o resort e a família Toffoli. De acordo com reportagens dos jornalistas Pedro Augusto Figueiredo, Jenne Andrade e Luiz Vassallo, o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, figura como proprietário de um dos fundos que adquiriram parte da participação dos irmãos do ministro no Tayayá.

Conforme apurado, Zettel teria comprado a cota por R$ 6,6 milhões e, posteriormente, aportado mais R$ 20 milhões no empreendimento por meio do fundo.

Preso preventivamente em 14 de janeiro, Fabiano Campos Zettel tornou-se um dos principais alvos da segunda fase da operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura irregularidades relacionadas ao Banco Master.

Casado com Natália Vorcaro, irmã de Daniel Vorcaro, Zettel transita entre o mercado financeiro de alto padrão e a liderança religiosa, atuando na Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte.

A prisão do empresário foi determinada por Dias Toffoli. Segundo informações divulgadas, a operação quase não foi concluída devido à demora no cumprimento das ordens de busca e apreensão, sendo efetivada após intervenção direta do ministro.

Zettel foi detido no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando se preparava para viajar ao exterior. Por decisão do STF, ele teve o passaporte apreendido e está impedido de deixar o país

Foto: reprodução; Fonte: Poder360

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