Política
Inscrição de LGBT em casas populares é rejeitada na Assembleia
Em vários discursos, deputados como Dinaldo Filho, Renato Gadelha, João Bosco Carneiro, Jutay Menezes, Bruno Cunha Lima e Tovar Correia Lima se posicionaram contra e alegaram que os casais LGBT ainda não foram reconhecidos como famílias. A referência é a um parecer de autoria do deputado Diego Garcia (PHS-PR) que foi emitido no âmbito da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.
“Sem demérito ao propositor, a discussão é mais ampla que o reconhecimento do direito a uma minoria. Estamos tratando do reconhecimento do núcleo familiar. A lei que trata das prioridades de política habitacional inclui a mulher como chefe de família”, alegou Bruno Cunha Lima. No mesmo sentido, foi o pronunciamento de Tovar Correia Lima. Segundo ele, o projeto de Hervázio “é inconstitucional. Não podemos ser governados pelas minorias”. Já Dinaldinho foi enfático: “O homossexual pode trabalhar para ter sua casa”. Daniella Ribeiro pediu que o pensamento “em defesa da família que Deus criou” seja respeitado: “Não escondo o que eu penso. Um dia eu prestarei contas da minha vida a Deus”. A deputada leu um versículo bíblico para encerrar seu aparte.
Os deputados Frei Anastácio e Anísio Maia defenderam o texto de Hervázio e os casais homoafetivos: “A religião deve ter seu espaço ser praticada com todo o respeito. Mas, não podemos discriminar os gays no acesso a seus direitos civis. Não adianta impedir esse avanço e os direitos dos homossexuais. Isso é um avanço e vai acontecer no mundo inteiro. Vai chegar o dia em que será lei universal. O mundo inteiro defende o direito das minorias e um casal homoafetivo tem o direito de ter sua moradia. Defendo esse direito com toda a certeza”, disse Anísio.
Já o autor do projeto, Hervázio Bezerra, declarou que não acreditava na polêmica: “Pensei que a matéria fosse aprovada por unanimidade. Atualmente, um homossexual pode apresentar apenas a própria renda para se candidatar à casa. Se os homoafetivos puderem ser reconhecidos como um casal, esse acesso será facilitado. E eu não quero que meus colegas fiquem estressados, mas sei que há muitos casais homossexuais que tratam melhor seus filhos que os casais heterossexuais. O STF reconhece o casamento entre pessoas do mesmo sexo e não obsta que a união homoafetiva possa ser reconhecida como núcleo familiar”, declarou Hervázio.
Redação com ParlamentoPB