Notícias
Incor diz que estado deve quase R$ 182 mil em cirurgias e lamenta burocracia
O Instituto Neurocardiovascular de Campina Grande – Incor – respondeu hoje (21) às críticas do governo do estado que acusou o hospital de se recusar a realizar uma angioplastia, sob demanda judicial, no aposentado João Batista, que veio a falecer na última terça-feira (19). Através de nota enviada à imprensa e posterior entrevista com o Diretor Médico e cardiologista do Incor, Gustavo Souto Maior, o Incor informou que não poderia contrair mais débitos, pois o governo do estado possui uma dívida de quase R$ 182 mil junto ao Instituto devido à três cirurgias realizadas anteriormente.
“Nunca houve repasse. Nunca recebemos nenhum centavo de procedimento sob demanda judicial. Tendo em vista a gravidade dos casos, nós nos comprometemos a realizar os demais procedimentos mesmo sem receber”, comentou o médico, lamentando o caso de Seu João Batista que faleceu aguardando a cirurgia desde julho de 2015.
Dr. Gustavo Souto Maior entende que o caso é muito mais complexo. “A gente não pode tratar esse caso de forma simplista. Nós conversamos com Seu João. Ele era hipertenso e diabético. Com um quadro desses, um procedimento desses (angioplastia) tem que ser feito pelo SUS em menos de 24 horas. A gente nunca vai se opor a solucionar qualquer problema, seja ele do SUS ou privado, mas precisamos de material. Então, temos uma parceria público-privada e vínhamos realizando esses procedimentos via decisão judicial. Mas chegou a um ponto que, por sermos de pequeno porte, não temos como realizar porque não temos como negociar com fornecedor”, explicou o médico.
Mesmo explicando a falta de repasse do estado e a demora no encaminhamento do paciente para a cirurgia, o médico acredita que a culpa não é do governo, mas do sistema e da burocracia. “Não é culpa do governo, do Incor, mas do sistema. Se alguém que faz parte da burocracia tivesse a oportunidade de olhar nos olhos de Seu João batista, com certeza teria resolvido a situação dele. Nós estávamos tentando. Esse caso está sendo uma oportunidade de resolver outras situações”, avalia o diretor.
A cirurgia de Seu João Batista, determinada pela Justiça através do juiz de Bayeux , Francisco Antunes Farias, no dia 15 de julho de 2015, era para ter sido realizada pelo estado no tempo máximo de oito dias. A demora do encaminhamento complicou o quadro do paciente que, tendo amputado o braço esquerdo no início de janeiro por falta de circulação, não conseguiu se submeter ao procedimento agendado para a última segunda-feira 18. “Quando o paciente chegou aqui ele já estava muito grave e já tínhamos conversado com a família, tendo em vista a demora do tratamento”, afirmou o Dr. Gustavo.
O valor da cirurgia era de R$ 23 mil. A Justiça ainda chegou a determinar o bloqueio desse valor das contas do estado. Em nota, o governo do estado afirmou que vinha acompanhando o caso e que teria entrado em contato com o hospital de Campina Grande para a realização do procedimento por diversas vezes.