Política

IMPRENSA NACIONAL: Ricardo Coutinho recebe convite para integrar novo partido

psdO ministro das Cidades, Gilberto Kassab (PSD), espera engordar as fileiras de seu partido no Congresso Nacional –e, consequentemente, seu poder de barganha no governo federal– patrocinando a recriação de uma legenda, o PL, que seria, em seguida, alvo de uma fusão com o PSD.

Aliados do ex-prefeito de São Paulo afirmam que ele estima atrair até 30 deputados federais para a nova sigla, além de dois a três governadores e senadores.

Em conversas reservadas, Kassab e até dirigentes de legendas que estão alarmadas com a mobilização mencionam a migração de pelo menos dois governadores ao novo PL: José Melo (Pros), do Amazonas, e Ricardo Coutinho (PSB), da Paraíba.

A operação colocou em alerta partidos de oposição e aliados da base governista.

Se conseguir concretizar a fundação do PL com o sucesso que projeta nos bastidores, Kassab passará a comandar a segunda maior bancada do Congresso, desbancando o PMDB, que elegeu 66 federais. O PSD tem hoje 37 deputados.

A desconfiança de que o projeto tem o aval do Planalto e da presidente Dilma Rousseff (PT) irritou peemedebistas, que veem nisso uma tentativa de diminuir a importância do partido nas votações do Congresso.

A oposição, que já sofreu baixas quando Kassab saiu do DEM para criar o seu PSD há três anos e, em consequência, aderir ao governo, agora tenta evitar novas defecções.

PSB, DEM e PSDB estudam fazer uma consulta formal ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sobre a legitimidade da criação do partido com vistas a uma posterior fusão. A oposição espera, com isso, constranger os que pretendem deixar suas legendas.

‘IRMÃS SIAMESAS’

Procurado, Kassab não quis falar sobre o assunto. Oficialmente, quem coordena a refundação do PL é um assessor do governo de Goiás, Cleovan Siqueira, de 62 anos.

Os dois militaram no antigo PL em 1989, quando a sigla lançou Guilherme Afif Domingos à Presidência.

A antiga legenda foi extinta em 2006, após uma fusão com o Prona, lance que deu origem ao PR, do ex-deputado condenado no mensalão Valdemar da Costa Neto.

“Em 2007 eu decidi refundar o partido, e desde então trabalho nisso”, diz Cleovan.

Em sete anos, ele calcula ter conseguido cerca de 85 mil das quase 500 mil assinaturas exigidas por lei para legitimar a criação de uma sigla.

Kassab entrou no plano em 2014 e, em menos de um ano, incorporou quase 400 mil apoios. A expectativa é ter tudo pronto em fevereiro para fazer o pedido de registro na Justiça Eleitoral.

Questionado sobre como o ex-prefeito conseguiu tantas assinaturas em tão pouco tempo, Cleovan diz: “O Kassab tinha uma bancada de mais de 40 deputados na Câmara, tinha governadores e senadores do PSD… Cada um ajudou um pouco”.

Na década de 1990, Cleovan foi vereador de Caldas Novas (GO), cidade famosa no Centro-Oeste pelas festas de música baiana que promove.

No ano passado, já aliado a Kassab, concorreu a deputado pelo PSD. Teve 856 votos num universo de 4,2 milhões de eleitores.”Aqui é pequeno, sabe?”, justificou.

Cleovan nega que o plano seja fazer a fusão com o PSD logo após a recriação do PL. Diz que as duas siglas só se unirão formalmente se o Congresso aprovar o fim das coligações proporcionais.”Até lá, o PSD e o PL serão legendas irmãs, irmãs siamesas.”

Folha

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