Política
Governo teme ‘traição’ na eleição do PMDB e escala ministro para conversar com Hugo Motta
O governo federal adotou a atitude por considerar reduzidas as chances do atual líder do partido, Leonardo Picciani (RJ), vencer a eleição
O Palácio do Planalto considera reduzidas as chances de Leonardo Picciani (RJ) vencer a eleição de líder do PMDB. Preocupado, o governo escalou Jaques Wagner para conversar com Hugo Motta (PB).
O Palácio do Planalto escalou o ministro da Casa Civil, Jacques Wagner, para conversar com o deputado federal Hugo Motta, que disputa a liderança do PMDB na Câmara Federal.
O governo federal adotou a atitude por considerar reduzidas as chances do atual líder do partido, Leonardo Picciani (RJ), vencer a eleição.
O fato de a eleição ser secreta também preocupa o Palácio do Planalto. Os articuladores políticos do governo temem um elevado grau de traição, por isso, a ordem no Planalto é ser discreto para evitar qualquer sequela depois da eleição.
Pelos cálculos dos apoiadores de Motta, ele conta com os votos de grande parte das bancadas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Espírito Santo, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Bahia, Tocantins e Paraíba.
O paraibano disse que, se vencer a disputa pela liderança da bancada peemedebista na Câmara, sua postura com relação ao Palácio do Planalto será de diálogo. “Não há como um líder do PMDB chegar fechando portas. Liderar é ter a capacidade de dialogar. O que o líder do PMDB não pode fazer é impor aos companheiros a sua vontade”, afirmou.
O parlamentar paraibano, que tem evitado falar sobre temas polêmicos como o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, ponderou que não tem percebido nenhuma interferência do Palácio do Planalto na disputa pela liderança do PMDB. “Não estão cooptando nenhum deputado”, disse. Antes mesmo de oficializar sua candidatura a líder do PMDB, ele procurou o ministro Edinho Silva (Secom) para uma “visita de cortesia”. O parlamentar pediu que o governo não interferisse no processo de sucessão na bancada. No final do ano passado, o governo ajudou Picciani a retomar a liderança, após ele ser destituído por parlamentares favoráveis ao impeachment da presidente.