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Governo francês pode financiar projeto internacional de terras raras no Brasil

A mineradora australiana Viridis Mining & Minerals anunciou que o Projeto Colossus, localizado em Minas Gerais, foi reconhecido como elegível para financiamento pela Bpifrance Assurance Export, agência de crédito à exportação do governo francês.

O aval reforça o caráter estratégico da iniciativa, que tem entre seus objetivos fortalecer a cadeia ocidental de suprimento de minerais críticos — insumos essenciais para setores como energia limpa, tecnologia e defesa.

A Bpifrance, ligada ao banco público de investimento francês, atua no apoio a projetos considerados de interesse nacional ou geopolítico, oferecendo garantias e crédito a iniciativas de relevância para a França e seus parceiros.

O Colossus foi incluído no programa “Garantie de Prêt Stratégique”, que concede garantia soberana parcial a financiamentos voltados a projetos estratégicos. A próxima etapa envolve uma due diligence conduzida pela própria agência, que analisará aspectos técnicos, financeiros e ambientais antes da liberação dos recursos.

O projeto mineiro é rico em argilas iônicas com elementos como neodímio, praseodímio, térbio e disprósio, todos fundamentais para a produção de veículos elétricos, turbinas eólicas e chips eletrônicos.

A Viridis já conta com apoio do BNDES, formalizado em julho de 2025, dentro de um plano de incentivo a minerais estratégicos. Com o suporte combinado de Brasil e França, a empresa espera iniciar as obras até o terceiro trimestre de 2026.

Como parte do plano de expansão, a Viridis anunciou também a construção de um centro de pesquisa e processamento em Poços de Caldas (MG), a sete quilômetros das concessões minerais da companhia.

O espaço, totalmente livre de tecnologia ou equipamentos chineses, servirá para a produção experimental de carbonato misto de terras raras, além de gerar amostras para potenciais compradores. A planta piloto terá capacidade para processar 100 quilos de minério por hora e deverá entrar em operação no segundo trimestre de 2026.

O anúncio ocorre em meio ao aumento das restrições da China à exportação de terras raras — país responsável por mais de 80% do processamento global. Apesar de Pequim ter recuado parcialmente nas medidas após acordo com os Estados Unidos, a decisão elevou a preocupação de países ocidentais e impulsionou a busca por fontes alternativas de suprimento, como o Brasil.

Segundo a mineradora, a exclusão de insumos e tecnologia chinesa é uma decisão “estratégica” para garantir independência e reduzir vulnerabilidades.

“Essa abordagem proativa garante que a Viridis não fique exposta a possíveis atrasos, restrições ou riscos de dependência, posicionando o Projeto Colossus como um dos poucos empreendimentos alinhados ao Ocidente”, afirmou a companhia em nota.

A licença ambiental é o principal desafio atual. O estudo e o relatório de impacto ambiental foram apresentados em janeiro de 2025, e a empresa aguarda a concessão da licença prévia para avançar nas próximas fases.

Foto: reprodução; Fonte: CNN

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