Mayssa Pessoa abriu mão da medalha de ouro conquistada em Toronto para ajudar Adriana Iliescu, de 23 anos, que tem tumor no cérebro e precisa passar por cirurgia
O sorriso no pódio, a festa no vestiário e a emoção de uma conquista diante das principais rivais sul-americanas estarão para sempre nas recordações de Mayssa, da seleção brasileira feminina de handebol. Em julho do ano passado, o Brasil bateu a Argentina em Toronto, no Canadá, e levou a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos. Um ano depois, porém, o símbolo maior dessa conquista não decora mais a casa da goleira. Em março, a paraibana doou a láurea para um leilão beneficente em prol de Adriana Iliescu, jogadora amadora de handebol. Os lances podem ser dados através de uma página criada no Facebook para angariar fundos e valem até o dia 13 de junho. No momento, o mais alto atingiu € 200 euros (R$ 800).
Aos 23 anos, Iliescu tem um tumor no cérebro que a fez perder a audição no ouvido direito. A doença se desenvolve na base do cérebro da romena e pode afetar as raízes dos nervos. A irmã de Adriana, de oito anos, sofre com o mesmo problema e vive com sequelas por não ter identificado e tratado o problema com antecedência. De acordo com os médicos a doença é grave, pode fazê-la ficar paralisada e tem origem genética, ou seja, foi herdada do pai. Para tratar o tumor, a romena precisa passar por duas cirurgias. Cada uma custa € 13 mil euros (R$ 52 mil). A primeira foi realizada em Bucareste, na Romênia, em abril, e para a segunda a corrente em prol da jogadora ainda precisa arrecadar € 3 mil euros (R$ 12 mil). O procedimento será feito em julho, na França.
– Vi na TV da Romênia falando sobre ela e a Adriana Nechita, ponta direita da seleção romena no Mundial da Dinamarca (em 2015), também fez uma doação. Achei a atitude dela muito bonita e então doei a minha medalha do Pan-Americano para leilão. Quem puder ajudar, deve fazer isso. A ajuda pode ser internacional. Basta ir na página e fazer a doação pela internet mesmo – declarou a goleira.
A doação aconteceu em março, em um encontro entre Mayssa e Adriana Iliescu. As duas posaram juntas para as fotos que divulgam o leilão. Na publicação, a medalha de Mayssa é anunciada como parte da conquista da seleção brasileira feminina de handebol, campeã em cima da Argentina, em Toronto. A medalha tem 353 gramas, é feita em prata e toda coberta por ouro. Para Mayssa, abrir mão da medalha conquistada não é um sofrimento, pelo contrário.

– O que vai ficar na minha lembrança é que eu pude fazer algo para confortar e ajudar nesse momento difícil que ela está passando. Inclusive, postei em minhas páginas a informação para que o leilão seja visto no Brasil – disse Mayssa, que está com a seleção brasileira para um período de treinos na Europa visando as Olimpíadas do Rio 2016.
A batalha de Adriana ganhou a televisão na Romênia e tocou os atletas na Europa. Vários jogadores como a romena Cristina Neagu, melhor jogadora do Mundial da Dinamarca, doaram camisas autografadas para leilão. Jogadores de futebol, entre eles Adrian Mutu (também romeno) e fãs fizeram o mesmo com camisas recebidas de ídolos e com autógrafos. São 73 itens em leilão. Uma camisa da seleção brasileira feminina de handebol, da ponta Alexandra Nascimento, foi doada por um fã para leilão.
– Só tenho a agradecer pelo que ela fez por mim. Eu fiquei muito impressionada. Ela é uma mulher extraordinária e seu gesto não é feito por qualquer pessoa . Ela me deixou sem palavras. Mayssa ficou sabendo da minha história pela televisão e na hora falou com as companheiras de time (do CSM Bucuresti) que queria ajudar doando a medalha – explica Adriana Iliescu.
Aguardando a próxima cirurgia, Adriana espera conseguir arrecadar o valor necessário para viajar para a França. Ela promete ser uma guerreira na luta pela vida e arrisca até uma torcida por Mayssa nas Olimpíadas, mesmo com o Brasil encarando a Romênia, algoz no Mundial, na primeira fase dos Jogos do Rio 2016.
– Eu tenho medo da cirurgia, mas continuo otimista que vou ficar bem. Prometo ser uma lutadora e vencer essa batalha. Sobre as Olimpíadas, é uma dura missão escolher entre o meu país e a seleção da Mayssa (risos). Vou torcer para os dois – garante a romena.
