Alvo de operação da Polícia Federal (PF), o general da reserva Paulo Chagas (sem partido) criticou duramente o Supremo Tribunal Federal (STF). “Acho graça. É ridículo um ministro do STF exacerbar suas atribuições para tentar intimidar o cidadão comum”, afirmou. Na manhã desta terça-feira (16/04/19), agentes da PF cumpriram mandado de busca e apreensão na casa do ex-candidato ao Palácio do Buriti. A decisão foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes e faz parte do inquérito que apura a veiculação de notícias falsas contra membros do STF – apelidado de Inquérito das Fake News.
O general foi apoiado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), nas eleições de 2018. Ele é crítico ferrenho dos membros da Suprema Corte nas redes sociais. Como arma, usa Twitter, Facebook, WhatsApp e Instagram. “Não sou contra o STF. Acho que esses ministros estão muito aquém da importância da Corte. É um trabalho discutível. O que eles decidem numa hora é revogado em outra. Isso provoca insegurança jurídica”, afirmou. “Eu não tenho cargo público, não estou no governo, já até sai do partido de que fiz parte. Sou uma pessoa normal manifestando opinião”, completou.
Chagas usou a decisão da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, para endossar seus argumentos. “O papel de ridículo foi tanto que até a PGR já disse que não é cabível”, atacou o militar contra a operação desta terça.
Logo após o cumprimento dos mandados de busca e apreensão em três estados contra sete alvos do Inquérito das Fake News, Dodge decidiu arquivar o processo. Ela utilizou como fundamento para a medida o respeito ao processo legal e ao sistema penal acusatório estabelecido na Constituição de 1988.
Embora a decisão do ministro Alexandre de Moraes mandasse bloquear as redes sociais de todos os suspeitos, o general da reserva afirmou que suas contas nas plataformas continuam funcionando. Disse ainda que não se intimidará: “É um estímulo para mim. Vou continuar usando a internet para manifestar minhas opiniões”.