O Roubo dos Aposentados

Fraude no INSS tinha planilha com lista de apelidos; veja primeiros nomes

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A Polícia Federal utilizou um mapa financeiro elaborado pelos próprios envolvidos na fraude contra o INSS. Trata-se de uma planilha apreendida neste ano com integrantes da Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais), foco principal da operação realizada hoje.

O documento encontrado no núcleo financeiro da confederação detalhava repasses mensais destinados a ex-membros da cúpula do INSS, identificados por apelidos como “Italiano”, “Herói V” e “Herói A”.

Segundo a PF, as informações da planilha permitiram rastrear o coração financeiro da organização criminosa, revelando como mais de R$ 640 milhões desviados das aposentadorias foram distribuídos e como a rede garantia proteção institucional para manter o esquema em funcionamento. Os investigadores cruzaram essas informações com dados de fases anteriores da apuração. 

Na interpretação da Polícia Federal, a planilha não funcionava apenas como registro contábil, mas também refletia o organograma da quadrilha. Cada apelido correspondia à função de quem tinha poder de decisão e contribuía, dentro do INSS, para que a fraude seguisse ativa.

No topo da lista está o “Italiano”, codinome de Alessandro Antônio Stefanutto, que ocupou cargos estratégicos como procurador-chefe e, depois, presidente do INSS no governo Lula.

O rastreamento de fluxos bancários indica que ele recebia mesada de R$ 250 mil, pagos por empresas de fachada ligadas ao operador financeiro Cícero Marcelino. Clique AQUI para ver. Antes de assumir a presidência do órgão no governo Lula, o valor da mesada de Stefanutto variava entre R$ 50 mil e R$ 100 mil mensais.

A PF afirma que Stefanutto sustentou juridicamente a assinatura do convênio com a Conafer e, posteriormente, blindou administrativamente o esquema mesmo diante de alertas internos sobre irregularidades e falsificações.

Em seguida aparece o “Herói V”, identificado como Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, ex-procurador-geral do INSS, que recebeu R$ 6,5 milhões entre 2022 e 2024. Segundo os investigadores, Virgílio liberava lotes de pagamentos e emitia despachos que destravavam transferências à Conafer.

O terceiro na hierarquia é o “Herói A”, apelido de André Paulo Félix Fidélis, ex-diretor de Benefícios do INSS. Conforme análise da PF, ele recebeu R$ 3,4 milhões.

Mensagens interceptadas mostram encontros discretos, fotos como comprovante de entrega e pagamentos via empresas do núcleo operacional, garantindo que o acordo técnico com a Conafer não sofresse interrupções mesmo diante de denúncias crescentes e inconsistências nos sistemas do INSS.

A PF apontou ainda que Stefanutto utilizou uma pizzaria, uma imobiliária e um escritório de advocacia para lavar dinheiro. Em relatório enviado ao Supremo, a corporação solicitou a prisão do ex-presidente do INSS.

Nomeado por Carlos Lupi (PDT), Stefanutto foi preso hoje (13) por ordem do ministro do STF André Mendonça. No documento, os investigadores detalham que Stefanutto tinha o codinome “O Italiano” e atuava como facilitador político-institucional da celebração de contratos fraudulentos com a Conafer.

“Ficou claro que, em troca de sua influência, Stefanutto recebia propinas recorrentes utilizando diversas empresas de fachada para ocultar os valores (lavagem de dinheiro), como Stelo Advogados e Associados, Delícia Italiana Pizzas e Moinhos Imobiliária”, destaca o relatório.

A PF aponta que, após assumir a presidência do INSS, “o valor mensal de sua propina aumentou significativamente para R$ 250 mil”, pagos diretamente pelo fluxo da fraude em massa da Conafer.

Antes da promoção, ele era procurador do órgão. “Na hierarquia da organização, ele integrava o núcleo político-institucional, que tinha por objetivo garantir o funcionamento e a impunidade do esquema fraudulento, mediante atuação dentro do próprio órgão público”, conclui a Polícia Federal. (DO)

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