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França, chave europeia

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A União Europeia é imaginável sem o Reino Unido, mas inviável sem a França. Por isso toda a Europa se preocupa, e muito, com o perfil de alguns dos candidatos que disputam no domingo o acesso ao segundo turno daseleições presidenciais francesas.

O antieuropeísmo francês é uma péssima notícia para o continente e muito negativa para a Espanha. Apenas Emmanuel Macron, o centrista independente, liberal e progressista, que lidera as pesquisas, defende abertamente a UE e lança uma mensagem positiva sobre a França e a globalização. Sua vitória insuflaria de otimismo e confiança a França no futuro e seria a melhor resposta do Velho Continente ao Brexit e ao populismo de Donald Trump, além do que, cresce em casa.

O país que marcou o mundo com o Iluminismo e a Revolução é hoje uma nação com medo dos ataques terroristas realizados por cidadãos radicalizados pela influência jihadista e preocupada com a ameaça ao seu modelo social por causa da concorrência de outras nações mais dinâmicas em um mundo sem fronteiras. Por causa de tudo isso crescem as correntes nacionalistas, xenófobas e populistas que também afetam outros países europeus. Mas a vitória de Macron está longe de garantida.

Nunca nos últimos sessenta anos tinha chegado quatro candidatos tão empatados. Nunca antes também a eleição presidencial tinha sido organizada sob o estado de exceção e com um novo atentado três dias antes da votação. Nem nunca antes tinha ficado tão evidente a possibilidade de que nenhum dos dois grandes partidos que estruturaram a política francesa (o socialista e o republicano) fosse governar o país.

Se as pesquisas permitem alguma certeza é a da eliminação do Partido Socialista, agora no poder. Muito abaixo nas pesquisas, o candidato Benoït Hamon escolhido nas primárias abertas do seu partido em janeiro poderia sofrer a humilhação de não chegar nem a 10% dos votos. É outra característica transfronteiriça: a crise da social-democracia, que continua procurando seu lugar nas sociedades modernas às quais tanto contribuiu no passado e a ascensão da extrema esquerda que promete coisas impossíveis e compartilha propostas com a extrema direita.

A Europa precisa da França aberta e pró-europeia que já foi, um país disposto a avançar; não a se fechar. E, acima de tudo, precisa derrotar o populismo, de esquerda ou de direita. Esta eleição é central para poder abrir o caminho da recuperação do reformismo saudável e do europeísmo convencido.

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