Brasil

Faça de conta que a operação Lava-Jato não existiu. É isso que seus inimigos querem

Tente imaginar o Brasil sem a Lava Jato. Para isso, faça de conta que a força-tarefa não recuperou mais de 24 bilhões de reais desviados dos cofres públicos por um magaesquema de corrupção.

Feche os olhos também para o fato de que esse dinheiro só foi recuperado após 219 pessoas e 13 empresas terem confessado que cometeram crimes.

Ignore ainda as mais de duas centenas de pessoas investigadas que foram parar no banco dos réus.

Deixe para lá o fato de que as penas das dezenas e dezenas de condenados somam 3.096 anos de prisão.

E o mais importante: apague de sua memória a informação de que, pela primeira vez na história do país, peixes graúdos foram encarcerados pelos seus crimes, após processos legais com amplo direito de defesa.

Não deixe de “deletar” a lista de condenados e presos pela Lava Jato, que inclui um ex-presidente, o maior empreiteiro do país etc.

Você conseguiu imaginar o que seria o Brasil sem a Lava Jato?

Certamente pior.

Mas é justamente isso que a maior ofensiva já vista contra a Lava Jato quer: que façamos de conta que a operação anticorrupção não existiu.

É para esse Brasil que a maior ofensiva já vista contra a Lava Jato quer que retornemos…

…o Brasil da impunidade, o Brasil em que os poderosos não podem ser alcançados pela lei

…o Brasil em que você vale menos do que eles.

A artilharia contra a Lava Jato tem sido pesada. Pesadíssima.

A reportagem de Fabio Serapião revelou o seguinte sobre o caso:

A suspeita da PF é que a ação tenha sido orquestrada. As linhas de investigação, até aqui, vão desde a ação solitária de um hacker à possibilidade de participação de empresas de espionagem e até de serviços secretos estrangeiros. A revista Crusoé, reservadamente, experientes investigadores da área de inteligência dizem acreditar que se trata de um trabalho feito por profissionais, à custa de muito dinheiro…

Pior: descobriu-se depois que as mensagens atribuídas a Moro e aos procuradores divulgadas pelo site The Intercept, de Glenn Greenwald, haviam sido editadas.

Ou seja, além de o Intercept não poder garantir que as mensagens são autênticas, ficou claro que elas foram manipuladas antes da publicação.

Quem pode garantir que as mensagens roubadas são autênticas? O hacker garante?

Isso ficou claro nos episódios em que o site atribuiu a autoria de certas mensagens a um procurador e, logo depois, disse que elas, na verdade, pertenciam a outro:

 

E também na mensagem datada de 28 de outubro de 2019 (!) — ou seja, uma mensagem vinda do futuro!

As mensagens de áudio publicadas pelo Intercept tampouco são confiáveis — além de não provarem conduta irregular dos envolvidos.

Veja o que um especialista disse:

Fonte: O Antagonista

O perito explicou por que é impossível garantir que trata-se de áudio original: “Você consegue fazer emendas, pegar trechos de uma gravação e colocar o que você quiser.”

Mas as mensagens roubadas, vazadas e editadas não são a única frente de ataques à Lava Jato.

A outra é formado por uma parceria entre os petistas e o ministro Gilmar Mendes:

Confira trecho da reportagem de Caio Junqueira que explica o assunto:

“O namoro de Gilmar com petistas começou quando o PT deixou o Palácio do Planalto e a Lava Jato avançava sobre outros partidos com os quais Gilmar sempre foi mais alinhado, como o PSDB, e sobre o Judiciário. Deu-se, a partir daí, uma aliança de conveniência da qual partem, hoje, as maiores ameaças à operação. De um lado, um partido buscando um rumo desde que sua principal liderança, Lula, foi presa por corrupção e lavagem de dinheiro. De outro, um juiz que, sob a justificativa da defesa de direitos individuais, tenta a todo custo enfraquecer a maior ofensiva contra a corrupção da história do país…”

Em meio a tantos ataques, cabem algumas perguntas:

  • a quem interessa o fim da Lava Jato?
  • é possível resistir a tantos ataques?

Mas é preciso agir rápido: neste exato momento, condenados e investigados pela Lava Jato comemoram os golpes desferidos contra a maior operação anticorrupção da história.

 

 

fonte: o antagonista

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