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Exames confirmam infecção por Zika vírus em dois casos de microcefalia
Também nesta terça, o Ministério da Saúde informou que a epidemia de contaminação por zika vírus registrada no primeiro semestre é a“principal hipótese” para explicar o aumento dos casos de microcefalia na região Nordeste.
O boletim epidemiológico do Ministério da Saúde divulgado nesta terça-feira, aponta que, até este mesmo dia, na Paraíba, 21 casos de microcefalia tinham sido notificados. Ainda segundo o mesmo boletim, em sete estados da região Nordeste foram notificados 399 casos da doença em recém-nascidos.
As análises em Campina Grande foram feitas a partir do líquido amniótico coletado de duas gestantes, cujos bebês haviam sido diagnosticados com a má-formação congênita em exames de ultrassonografia. Segundo a médica Adriana Melo, que é especialista em medicina fetal e integra o comitê criado pela Prefeitura para investigar casos de microcefalia, as mães dos dois bebês examinados são município de Juazeirinho, mas fazem pré-natal na maternidade do Isea.
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A médica Adriana Melo contou que pediu os testes porque precisava dar uma resposta mais detalhadas às pacientes sobre o que poderia ter causado a microcefalia nos bebês. Além do Zika Vírus, outros agentes biológicos foram investigados como citomegalovírus, zika e rubéola.
“Conversei com minhas duas pacientes e elas se dispuseram a ajudar e continuar essa pesquisa pelo agente [vírus]. Já não aguentávamos mais não ter o que dizer a paciente. Elas queriam saber exatamente o que causou isso. Era angustiante não saber o que levava a esse casos”, contou a médica.
“Campina Grande, como diferencial, resolveu focar na gravidez, porque a gente pode coletar esse líquido e ter a certeza de novos casos. Vamos agilizar o fluxo, coletar mais líquido amniótico de mais pacientes para que a gente possa ter um número que possa ser aceito pela comunidade científica”, explicou Adriana Melo, lembrando que, no momento, é importante que as pessoas se previnam contra o mosquito Aedes aegypti.
Após a confirmação do exame, a secretária municipal de saúde, Luzia Pinto, convocou uma reunião de emergência com a equipe da pasta para a noite desta terça, no Hospital Municipal Pedro I. O objetivo é definir as estratégias de assistência às gestantes e aos bebês com microcefalia. O conjunto de medidas a serem adotadas pela prefeitura deve ser anunciado na quarta-feira (18).
Relação inédita
Sobre a relação da infecção pelo vírus com a microcefalia, o diretor do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, informou que as investigações estão sendo feitas com cautela. “Vocês podem perguntar se isso fecha a correlação entre as duas coisas, e minha resposta é: ‘quase’. Estamos sendo bastantes cautelosos, mas não se encontrou nenhuma outra causa até o momento. Tivemos uma circulação importante do vírus no Brasil no primeiro semestre, coisa que aconteceu pela primeira vez na nossa história”, disse Maierovitch.
Maierovitch disse ainda que a relação entre o vírus zika e a má-formação genética “é inédita no mundo” e não consta na literatura científica até o momento. “Nossos cientistas, cientistas do mundo que se interessarem, devem nos ajudar a provar essa causa e efeito.”
Apesar disso, o Ministério da Saúde não trabalha com a hipótese de que o vírus zika em circulação no Brasil tenha sofrido mutação e se tornado mais perigoso.
“O Zika foi identificado em pouquíssimas partes do mundo. Foi no Brasil e no primeiro semestre que ele circulou com mais intensidade. Essas consequências ‘novas’ podem não ter sido identificadas antes porque a circulação ocorreu em áreas limitadas”, afirmou o diretor.
Com G1