O ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes (foto em destaque), foi preso nesta terça-feira (3/2) por agentes da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal. A coluna apurou que ele foi preso na Via Dutra, região sul fluminense, próximo a Rezende. Antunes voltava de uma viagem aos EUA e desembarcou no Aeroporto de Guarulhos.
Em janeiro deste ano, Antunes deixou o comando do fundo de previdência dos servidores do Estado do Rio de Janeiro, após se tornar alvo de uma investigação que apura suspeitas de gestão fraudulenta, desvio de recursos públicos e corrupção envolvendo investimentos realizados no Banco Master.
Durante a gestão de Antunes e de outros dois ex-dirigentes, o Rioprevidência aplicou quase R$ 1 bilhão em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master — títulos de alto risco que não possuem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
As investigações se concentram em nove aplicações feitas entre 2023 e 2024, as quais, segundo a Polícia Federal, colocaram em risco os recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil servidores públicos estaduais.
Alertas ignorados e veto do TCE – Os aportes no Banco Master já vinham sendo questionados há mais de um ano.
O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) analisava as operações e, em outubro de 2025, proibiu o Rioprevidência de realizar novos investimentos em títulos administrados pelo banco, alertando para indícios de gestão temerária e possível irresponsabilidade na condução dos recursos previdenciários.
Mesmo assim, as aplicações seguiram no centro das decisões administrativas do fundo.
Operação Barco de Papel – Deivis Marcon Antunes é um dos alvos da Operação Barco de Papel, deflagrada pela Polícia Federal para apurar irregularidades nos aportes feitos pelo Rioprevidência no Banco Master.
A PF investiga crimes como gestão fraudulenta, crimes contra o sistema financeiro nacional, desvio de recursos públicos, indução da administração pública a erro, fraude a investidores, associação criminosa e corrupção passiva.
Além de Antunes, também foram alvo da operação o ex-diretor de investimentos Euchério Rodrigues e o ex-gerente de investimentos Pedro Pinheiro Guerra Leal, que deixaram seus cargos após o avanço das apurações.
Tentativa de saída do país – Há indícios de que Antunes já sabia da possibilidade de ser alvo de uma operação policial. Em meados de janeiro, ele passou a evitar sua residência no Rio de Janeiro e, no dia 15, deixou o país com destino aos Estados Unidos.
Em nota anterior, o Rioprevidência afirmou que o então presidente estaria em período de férias previamente programadas desde novembro de 2025.
Apesar disso, com o cumprimento dos mandados, a Polícia Federal confirmou a prisão nesta terça-feira.
Como a fase inicial da operação previa apenas mandados de busca e apreensão, Antunes não era considerado foragido até então.
Letras financeiras e risco elevado – Segundo o Rioprevidência, as Letras Financeiras adquiridas foram emitidas entre outubro de 2023 e agosto de 2024, com vencimentos previstos apenas para 2033 e 2034.
Tradicionalmente, esse tipo de papel é destinado a investidores profissionais e envolve alto risco, incompatível, segundo investigadores, com a natureza previdenciária do fundo.
A PF apura se as decisões de investimento foram tomadas sem respaldo técnico adequado, contrariando a finalidade legal do instituto e expondo o patrimônio dos servidores estaduais a riscos excessivos.
As defesas dos investigados não foram localizadas. O espaço segue aberto para manifestações.
Metropoles – Mirelle Pinheiro