O Carnaval e o axé estão sempre associados à alegria. Mas para Cacik Jonne, ex-guitarrista do Chiclete com Banana, os últimos 14 anos têm sido de muito sofrimento. O músico fez parte da banda por duas décadas, mas está afastado desde 2001, quando descobriu ser portador de ataxia cerebelar, uma inflamação do cerebelo que pode ser causada pelo abuso de álcool ou drogas, severa infecção viral ou anomalia congênita.
A doença é degenerativa e causa falta de coordenação motora, além de afetar a força muscular, o equilíbrio e a fala. Essa condição fez com que Jonne se afastasse da guitarra e do baixo, instrumentos que alternava no grupo de axé. Hoje, o músico só se locomove com apoio de outra pessoa ou cadeira de rodas, fala com muita dificuldade e adquiriu problemas de visão.
Beto Fontes, advogado e amigo que auxilia Jonne desde a morte do pai do músico, em 2010, explica que ele sobrevive basicamente com o auxílio-doença que recebe do governo, no valor de R$ 3,9 mil.
— Essa quantia não é suficiente para pagar todos os cuidados médicos necessários para manter Jonne em bom estado de saúde. Precisamos bancar duas enfermeiras, que ficam 24 horas na casa. Em fisioterapia, gastamos cerca de R$ 1,5 mil. E ainda precisamos de dinheiro para as consultas do neurologista, remédios, alimentação e contas da casa.
Segundo Beto, se não fossem doações de amigos, Jonne teria ainda mais dificuldades para manter os tratamentos. Um dos músicos que ajudam o ex-Chicleteiro é Neo Rose. Ele promove shows beneficentes para ajudar o guitarrista.
— É gratificante poder exercer esse papel na vida de Jonne. Sou admirador do cara desde 1990. Só nós, os fãs, sabemos a necessidade que ele passa.
R7