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EUA ampliam cota de carne argentina e selam acordo comercial com o país de Milei

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nessa sexta-feira (6) um decreto que autoriza a ampliação temporária das importações de carne bovina da Argentina com tarifas mais baixas. 

A decisão estabelece um acréscimo de 80 mil toneladas métricas na cota de entrada do produto em 2026, restrito às aparas magras de carne bovina provenientes do país sul-americano.

Segundo o governo norte-americano, a iniciativa busca ampliar a oferta do alimento no mercado interno e ajudar a conter os preços, em um momento em que a alta do custo de vida tem gerado críticas à gestão Trump e influenciado vitórias eleitorais de candidatos democratas em 2025.

No ano passado, os preços da carne bovina alcançaram patamares recordes nos Estados Unidos, impulsionados pela combinação de demanda elevada e redução do rebanho. O cenário favoreceu pecuaristas, mas aumentou a pressão sobre o orçamento dos consumidores.

Trump afirmou que a medida foi tomada após conversas com o secretário de Agricultura e tem como foco ampliar a disponibilidade de carne moída para a população. 

Em 2024, os Estados Unidos importaram cerca de 33 mil toneladas métricas de carne bovina argentina, o equivalente a aproximadamente 2% do total comprado pelo país no exterior, conforme dados oficiais.

A decisão ocorre um dia após a assinatura de um acordo comercial entre Estados Unidos e Argentina, que prevê redução de tarifas e um plano de investimentos recíprocos. 

O entendimento também envolve materiais críticos, alinhado à estratégia do governo Trump de diminuir a dependência da China, atualmente líder na produção e no refino desses insumos essenciais para áreas como tecnologia, energia e defesa.

De acordo com o texto divulgado, o acordo estabelece cooperação e investimentos americanos em toda a cadeia produtiva na Argentina, desde a exploração até o processamento, refino e exportação. 

O anúncio foi feito pelo embaixador e negociador comercial dos EUA, Jamieson Greer, após reunião com o ministro das Relações Exteriores, do Comércio Internacional e do Culto da Argentina, Pablo Quirno.

O documento informa que o acordo não entra em vigor imediatamente. Ele passará a valer 60 dias após a troca de notificações formais confirmando a conclusão dos trâmites legais internos ou em outra data acordada entre os dois países.

Quando implementado, o pacto prevê que a Argentina elimine tarifas ou as reduza para cerca de 2% em milhares de produtos dos Estados Unidos, além de criar cotas isentas para itens considerados estratégicos, como 80 mil toneladas de carne bovina e 10 mil veículos.

Em contrapartida, os EUA se comprometem a retirar tarifas sobre determinados produtos agrícolas argentinos e a limitar eventuais sobretaxas a um teto de 10% para os demais bens.

O acordo também estabelece o fim da chamada taxa estatística argentina — cobrança aplicada sobre importações para custear serviços aduaneiros — em um prazo de até três anos. As reduções tarifárias serão graduais, com aplicação anual a partir de 1º de janeiro.

Em nota oficial, o governo do presidente Javier Milei comemorou o entendimento e afirmou que o texto consolida uma “relação estratégica” entre os países, baseada na abertura econômica, em regras claras para o comércio internacional e “em uma visão moderna da complementaridade comercial”.

Além dos minerais críticos, o Acordo entre os Estados Unidos e a República Argentina sobre Comércio Recíproco e Investimento (ARTI) amplia o acesso de capital americano a outros setores estratégicos da economia argentina, como energia, infraestrutura, tecnologia e comunicações, bens de capital, defesa e financiamento. 

O texto prevê, inclusive, apoio de agências dos EUA, como o EXIM Bank e a DFC, em parceria com a iniciativa privada.

Foto: divulgação – Fonte: G1

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