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Escuta de Grondona revela influência em Timão x Boca e derrota do Santos
Entre as suspeitas, está a possível influência de Grondona na indicação do árbitro Carlos Amarilla para o duelo entre Corinthians e Boca Juniors, pelas oitavas de final da Libertadores de 2013, em jogo recheado de polêmicas. Também há um trecho que deixa dúvidas sobre a lisura da eliminação do Santos para o Independiente nas semifinais da Libertadores de 1964, quando ele era presidente do clube argentino.
– No fim, se saiu bem. Ninguém queria este louco de m…, e o maior reforço que o Boca teve no último ano foi Amarilla – diz Grondona em uma parte das escutas reveladas pela América TV, falando sobre o jogo da eliminação do Corinthians.
Em 2013, o paraguaio Carlos Amarilla apitou o jogo de volta entre Corinthians e Boca, pelas oitavas de final da Libertadores, no Pacaembu. Depois da vitória argentina na primeira partida por 1 a 0, o Timão teve dois pênaltis não marcados, um gol mal anulado e acabou eliminado após o empate por 1 a 1 em São Paulo.
A conversa de Grondona sobre a Libertadores é com Abel Gnecco, representante da AFA no Comissão de Arbitragem da Conmebol. Gnecco revela como pressionou Alarcón (provável referência a Carlos Alarcón, diretor da comissão) para escalar Amarilla.
– “Gostam aí na Argentina do Amarilla?” Olha, se não gostam dele, não sei. Eu gosto, bota ele e deixa de me encher o saco. Para Alarcón, me bota o Amarilla e para de encher. Bom, assim foi, o pôs e bom… e saiu bem porque, bom, tem que ser assim… – disse Gnecco a Grondona.
A conversa entre os dois seguiu com uma longa discussão sobre a arbitragem de Boca Juniors x Newell’s Old Boys, confronto das quartas de final da Libertadores daquele ano. Apesar de os jogos terem sido apitados por dois dos três juízes na lista de Grondona e Gnecco (Mauro Vigliano e Germán Delfino), o Newell’s avançou depois de dois empates por 0 a 0 e uma disputa de pênaltis com 23 cobranças. Acabou eliminado na semifinal pelo futuro campeão Atlético-MG, também nos pênaltis.
Santos de 64
Outro trecho das gravações gera suspeitas sobre o enfrentamento entre o Santos e o Independiente, em 1964, pelas semifinais da Libertadores. Na época, Grondona era presidente do clube argentino, que eliminou os brasileiros. Na conversa com Gnecco, ele aconselha o amigo a tomar cuidado com escolhas de árbitros e auxiliares. O interlocutor diz que aprendeu isso com ele “há mais ou menos 40 anos”. E Grondona completa:
– Em 64, quando jogamos contra o Santos, ganhei o (árbitro) Leo Horn, que era holandês, com os dois bandeiras.
O Independiente venceu o Santos por 3 a 2 naquela partida, realizada no Maracanã. A imprensa da época destacou impedimentos mal marcados pela arbitragem – os auxiliares eram paraguaios. Porém, o árbitro não foi Leo Horn, e sim o inglês Arthur Holland. Grondona pode ter sido traído por sua memória.
No segundo jogo, em Avellaneda, o Independiente voltou a vencer o Santos, desta vez por 2 a 1, e foi à final da Libertadores, contra o Nacional. Com empate por 0 a 0 no Uruguai e vitória de 1 a 0 em casa, o time argentino foi campeão.
Além da influência na indicação da arbitragem para jogos da Conmebol, as escutas também mostram outras irregularidades, como o intuito de Julio Grondona de fraudar o pagamento de impostos; a tentativa de incentivo ao Colón para vencer o Argentinos Juniors e evitar o rebaixamento do Independiente; a mudança dos horários de jogos televisionados do Campeonato Argentino; e a prova da relação estreita entre o ex-presidente e Alejandro Burzaco, empresário suspeito de participar do esquema de corrupção na Fifa que se entregou à polícia da Itália no dia 9 de junho.
Redação com GE