Noticias Internacionais

Eleições EUA: Por que a “Superterça” pode decidir adversário de Donald Trump

Eleitores americanos irão às urnas nesta terça-feira (3) em uma série de votações simultâneas que poderão consolidar a liderança do senador Bernie Sanders ou abrir caminho para um nome da ala moderada na disputa para ser o candidato do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos.

A primeira terça-feira de março é considerada crucial do calendário eleitoral americano e ganhou o apelido de Superterça na década de 1980, quando três Estados realizaram prévias simultâneas na segunda terça-feira de março. Neste ano, a votação ocorre em 14 Estados e no território de Samoa Americana.

Estão em jogo 1.357 dos 1.991 delegados necessários para garantir a nomeação do Partido Democrata. Na convenção nacional do partido, programada para julho, são os delegados selecionados nas prévias que votam no candidato escolhido pelos eleitores de seus Estados, decidindo assim o representante democrata que irá enfrentar o presidente republicano Donald Trump na eleição geral de 3 de novembro.

Sanders, o senador independente pelo Estado de Vermont que se define como socialista democrático, tem até agora 60 delegados, o maior número entre todos os pré-candidatos democratas, e lidera as pesquisas de intenção de voto.

Mas, depois de um desempenho fraco nas primeiras três votações — em Iowa, New Hampshire e Nevada —, o ex-vice-presidente Joe Biden venceu a primária da Carolina do Sul no último sábado, ganhando novo fôlego. Biden tem 53 delegados.

A Superterça marca também o primeiro teste nas urnas do bilionário Mike Bloomberg, ex-prefeito de Nova York, que entrou na disputa mais tarde e, por isso, não participou das primeiras quatro prévias iniciais. Bloomberg já investiu mais de meio bilhão de dólares em sua campanha, mas seu fraco desempenho nos últimos debates gerou dúvidas sobre suas chances.

“(A votação) deverá enviar uma mensagem contundente sobre quem é o candidato mais viável na disputa”, diz à BBC News Brasil o cientista político Vincent Hutchings, professor da Universidade de Michigan.

Bernie Sanders lidera disputa nas primárias eleitorais democratas
Bernie Sanders lidera disputa nas primárias eleitorais democratas

Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Buttigieg, Klobuchar e Steyer – A escolha do candidato democrata ocorre em um momento em que a prioridade para o partido é derrotar Donald Trump na eleição geral. Pesquisas indicam que, para os eleitores democratas, isso é mais importante do que nomear um candidato que tenha propostas com as quais concordem.

Parte dos democratas acredita que esse nome seja Sanders. Outros, porém, temem que o senador esteja muito mais à esquerda do que a maioria dos americanos e, assim, possa afastar eleitores insatisfeitos com Trump que estariam dispostos a votar em um candidato democrata mais moderado na eleição geral.

Mas, até agora, os votos dos democratas insatisfeitos com a candidatura de Sanders estavam pulverizados entre diversos pré-candidatos considerados mais moderados, nenhum com força suficiente para ameaçar a liderança do senador de Vermont. A expectativa é de que isso possa mudar na Superterça.

Diante de resultados decepcionantes na Carolina do Sul, três candidatos da ala moderada abandonaram a disputa nos últimos dias. O bilionário Tom Steyer fez seu anúncio ainda na noite de sábado. No domingo, o ex-prefeito de South Bend (no Estado de Indiana), Pete Buttigieg, anunciou que suspendera a sua campanha. Na segunda-feira, foi a vez da senadora Amy Klobuchar, de Minnesota, sair do páreo.

Segundo analistas, saída de pré-candidatos moderados pode levar eleitores a unirem em torno de Biden
Segundo analistas, saída de pré-candidatos moderados pode levar eleitores a unirem em torno de Biden

Foto: Scott Olson/Getty Images / BBC News Brasil

Segundo analistas, a saída de Buttigieg, Klobuchar e Steyer pode fazer com que os eleitores que não apoiam Sanders se unam em torno de um único nome. Ainda na segunda-feira, Buttigieg e Klobuchar anunciaram seu apoio a Biden.

Durante a maior parte do ano passado e no início deste ano, Biden parecia ser o candidato favorito. Mas seu fraco desempenho nas primárias iniciais fez com que muitos duvidassem de sua candidatura e levou à queda nas pesquisas de intenção de voto.

Agora, impulsionado pela vitória na Carolina do Sul e com o apoio de vários nomes importantes do partido, o ex-vice-presidente espera que a Superterça possa consagrá-lo como a alternativa moderada a Sanders.

Pesquisas – Biden, que foi vice de Barack Obama, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, tem a seu favor grande apoio entre os eleitores desta etnia, uma parte importante do eleitorado em vários Estados do Sul do país que votam nesta terça.

Mas analistas destacam que muitos dos eleitores nos Estados que participam da Superterça já votaram antecipadamente, antes que o bom resultado na Carolina do Sul e o apoio de Buttigieg e Klobuchar dessem novo fôlego à sua campanha.

Além disso, não há garantias de que os eleitores de Buttigieg e Klobuchar agora votarão em Biden. Analistas ressaltam que a base de apoiadores de Buttigieg, que caso tivesse sido eleito seria o primeiro presidente americano abertamente gay, inclui tanto moderados quanto liberais, que poderiam transferir seus votos para Sanders, para a senadora Elizabeth Warren, de Massachusetts, ou até mesmo para Bloomberg.

Donald Trump disse que gostaria de enfrentar Bloomberg na eleição de 2020

Donald Trump disse que gostaria de enfrentar Bloomberg na eleição de 2020

Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Terra – Alessandra Corrêa – De Winston-Salem (EUA) para a BBC News Brasil

Mais popular