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Direita e Esquerda vão ao 2º turno em Portugal
O cenário político de Portugal seguirá indefinido até fevereiro. A eleição presidencial realizada neste domingo (18.jan.2026) não produziu um vencedor imediato, obrigando o país a realizar um segundo turno pela primeira vez em quatro décadas.
O embate final será entre António José Seguro, candidato de esquerda apoiado pelo Partido Socialista (PS), e André Ventura, representante da direita pelo Chega, com votação marcada para o dia 8 do próximo mês.
Com quase a totalidade das urnas apuradas — 99,17% — Seguro liderou a disputa inicial, alcançando 31,07% dos votos válidos. Ventura apareceu na sequência, com 23,55%. Como nenhum dos postulantes ultrapassou a barreira de 50%, exigida para vitória em primeiro turno, a definição ficará para a nova rodada eleitoral.
O resultado é interpretado como um alívio para os partidos de esquerda, que enfrentam perda de espaço no cenário político português nos últimos anos. Ao mesmo tempo, interrompe uma série de eleições presidenciais decididas sem necessidade de retorno às urnas, algo que não ocorria desde os anos 1980.
Portugal adota o modelo semipresidencialista, no qual o presidente da República atua como chefe de Estado, enquanto o comando do governo cabe ao primeiro-ministro.
Diferentemente das eleições legislativas, em que os eleitores escolhem partidos para a Assembleia da República, a corrida presidencial é disputada por candidatos individuais, ainda que possam receber apoio formal de legendas.
Nesse sistema, o presidente não exerce um papel meramente simbólico. Entre suas atribuições estão a nomeação do primeiro-ministro, a sanção ou veto de leis, a convocação de referendos, o comando das Forças Armadas e a representação internacional do país.
Também possui poderes excepcionais, como a possibilidade de dissolver o Parlamento e convocar novas eleições ou até demitir o governo — prerrogativa que nunca foi utilizada até hoje.
A atual disputa presidencial reflete mudanças profundas observadas nas eleições legislativas recentes. Desde 2019, o Chega ampliou de forma expressiva sua presença no Parlamento, saltando de um único deputado para 60 cadeiras.
No mesmo período, o PS sofreu forte retração, caindo de 120 assentos conquistados em 2022 para 58. Outros partidos tradicionais também perderam espaço: o Bloco de Esquerda encolheu de 19 para apenas um deputado, enquanto o Partido Comunista Português passou de 12 para três. A exceção nesse movimento foi o Livre, que avançou de um parlamentar em 2019 para seis eleitos em 2025.