Política

Deputado Hugo Motta destina verba da câmara à empresa suspeita

Hugo_Motta1-e1415118710790-300x144Indicado pelo PMDB para presidir a nova CPI da Petrobras, o deputado Hugo Motta (PMDB-PB) não vive à sombra do sobrenome político, herdado do pai, hoje deputado estadual e ex-prefeito; da avó, prefeita de Patos (PB) e ex-deputada estadual; e do avô, um ex-deputado federal já falecido. Prestes a assumir o cargo mais importante de seus cinco anos de parlamentar, o peemedebista de 25 anos convive com personagens que foram alvo da Polícia Federal, a mesma instituição que deflagrou em conjunto com o Ministério Público Federal a Operação Lava Jato.

A lista dos investigados que cercam o deputado inclui um assessor parlamentar, indiciado pela CPI dos Anões do Orçamento duas décadas atrás, e uma empresa acusada pela PF de emitir notas frias para prefeituras paraibanas, à qual ele destinou R$ 30 mil de verba da Câmara para a prestação de serviços. Em 2012, a consultoria ajudou a avó de Hugo a conseguir recursos federais para uma obra por meio de emenda do próprio deputado.

 

Operação Dublê

Em 2011, Hugo Motta fez seis repasses mensais no valor de R$ 5 mil cada à empresa Iramilton Sátiro da Nobrega a título de contração de consultorias. A Iramilton Assessoria, como é mais conhecida, atua oficialmente na elaboração e acompanhamento de projetos para prefeituras, instituições e órgãos de governo da Paraíba. Em maio de 2012, a empresa foi alvo de buscas e apreensão a Operação Dublê, da Polícia Federal, sob a suspeita de participar de um esquema que, segundo a PF, desviou mais de R$ 5 milhões de verbas da saúde, da educação, da ação social, do desenvolvimento rural e da infraestrutura urbana em cerca de 90 cidades do interior paraibano.

A empresa foi acusada de fornecer notas fiscais frias e facilitar o trâmite de obtenções de projetos junto ao governo federal a integrantes do esquema. Um dos prefeitos que tiveram, na época, mandado de prisão expedido foi o de Cacimba de Areia, Betinho Campos (PMDB), aliado político de Hugo Motta e cabo eleitoral do deputado em sua candidatura à reeleição no ano passado. O dono da consultoria também foi vereador no município.

Segundo a PF, quando as prefeituras investigadas recebiam verbas do governo federal, os valores eram sacados em favor da tesouraria do município e depois, para justificar os gastos, eram gerados processos internos de licitação e empenhos fictícios, com notas fiscais clonadas ou forjadas.

Em 2012, Hugo Motta destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares para a construção do Teatro Municipal de Patos, cidade administrada por sua avó, Francisca Motta (PMDB). O projeto executivo de obtenção de recursos da prefeitura de Patos junto ao governo federal foi elaborado justamente pela Iramilton Assessoria. O teatro, na época, foi orçado em R$ 3 milhões. A obra deve ser concluída no final deste ano.

Resumopb

Mais popular