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Depoimentos à CPI denunciam oferta de armas a crianças e crimes bárbaros

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A CPI da Violência contra Jovens Negros e Pobres, cuja visita à Paraíba foi organizada pelo deputado federal Luiz Couto (PT-PB) ouviu vários depoimentos na última sexta-feira, 3, com diligência e audiência pública em Santa Rita e João Pessoa, pela manhã e à tarde. Para o deputado Luiz Couto, a maciça presença de representantes da sociedade civil, do poder público e dos movimentos sociais ajudou a mostrar a realidade do genocídio praticado contra esse segmento. Houve ainda oitivas sigilosas de testemunhas de crimes relacionados à população negra e jovem.
Na quase totalidade, a violência tem uma ligação direta com o tráfico de drogas. Os depoimentos secretos também revelaram o nome de alguns policiais cúmplices dos traficantes de tóxicos: “São alguns poucos policiais bandidos que ajudam a manter essa situação de terror e recebem dinheiro para proteger bocas de fumo”, declarou o parlamentar.
Para ele, o debate foi importante para subsidiar o trabalho da CPI e proporcionar resultados práticos para atenuar os efeitos da criminalidade: “Tivemos um grande público que superou até nossa expectativa mais otimista. E vamos dar encaminhamento dessas queixas às autoridades competentes. Defendemos uma revisão do sistema de Segurança Pública, que está falido. E a participação de Estados e municípios nas estratégias para aumentar a segurança pública. No relatório preliminar do relatório da CPI, estes itens devem estar incluídos”, disse o petista.
Já o presidente da CPI, Reginaldo Lopes (PT-MG), concordou com Couto e disse que os crimes contra a vida não têm tido resolutividade pelas autoridades policiais, mais eficientes no combate aos crimes patrimoniais.
Entre os depoimentos que mais chamaram a atenção estiveram o de Isabel de Acorodan, de Marcos Moura, bairro de Santa Rita onde se verifica o maior índice de assassinatos entre jovens negros e pobres da Paraíba. A mãe de santo afirmou que os piores crimes de que já tomou conhecimento acontecem na localidade em que reside: “Não são apenas mortes. São mortes muito cruéis, terríveis, com esquartejamento ou corte de cabeças. São os traficantes de drogas que obrigam as crianças e adolescentes a entrar no mundo do crime”.
Já o vereador Sebastião Filho, do PT de Santa Rita, acrescentou mais um dado à fala da mãe de santo: “Mesmo tendo uma economia forte, o tráfico de entorpecentes no município é fortíssimo. Moro no Bairro Popular e lá a venda de drogas é algo comum. É comum ver garotos de 15 anos portando pistolas. A disputa entre as facções Okaida [nome informal derivado da organização terrorista Al Qaeda] e Estados Unidos faz com que eles troquem tiros todos os dias”, disse.
Ainda sobre Santa Rita, o padre Xavier, um italiano cujo nome de batismo é Saverio Paolillo, fez um relato emocionado das dificuldades que encontra em sua comunidade. “O crime controla Marcos Moura. E os jovens negros e pobres pagam o preço da violência institucional porque o dinheiro público vai pelo ralo da corrupção. Faz 90 dias que as escolas municipais não têm aula porque os professores e servidores estão em greve. As crianças e adolescentes estão nas ruas, à mercê do tráfico. O povo foi abandonado”, resumiu.
Já a promotora da Infância e Juventude de Bayeux, Fabiana Lobo, também ilustrou o quadro preocupante que encontrou na cidade. Segundo ela, 11 crianças e adolescentes foram mortos no município somente este ano, enquanto outros 32 foram registrados em um procedimento de “morte simbólica”. Segundo ela, são os casos de crianças a partir dos 6 anos de idade que são recrutadas pelo tráfico como “aviões”, responsáveis pela distribuição de entorpecentes e incumbidas do uso de armas. Ela também registrou que falta atendimento na rede de saúde para os jovens que tentam deixar o vício. Recentemente, cinco adolescentes de Bayeux foram encaminhados ao Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira, já que não há clínicas de desintoxicação para atendê-los.
Além dos deputados federais Luiz Couto, Rosângela Gomes (PRB-RJ), Reginaldo Lopes, Delegado Edson Moreira (PTN-MG), Wilson Filho (PTB-PB) e Damião Feliciano (PDT-PB) participaram das atividades da CPI da Violência contra jovens pobres e negros a secretária da Mulher e Diversidade Humana, Gilberta Soares; a presidente da Fundação Estadual da Criança e do Adolescente, Sandra Marrocos; o secretário executivo da Segurança e Defesa Social, Jean Francisco Nunes; o procurador do Ministério Público Federal (MPF), José Godoy de Souza;  os deputados estaduais Frei Anastácio (Comissão de Direitos Humanos da ALPB) e Anísio Maia (Comissão de Segurança da ALPB); além da delegada de Defraudações de Campina Grande, Maria do Socorro Barbosa Fausto e representantes de dezenas de entidades ligadas à Juventude ao Movimento Negro na Paraíba.
Redação com ParlamentoPB

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