Após criticar o sistema processual de Portugal e chamar o ex-primeiro-ministro lusitano José Sócrates de criminoso, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, centraliza uma crise diplomática entre brasileiros e lusitanos.
Como resposta aos apontamentos do ministro, Sócrates afirmou que Moro é um “ativista político disfarçado de juiz”, e que, por isso, o Brasil vive “desonesta instrumentalização do seu sistema judicial a serviço de um determinado e concreto interesse político”.
Em uma carta, o ex-ministro lusitano citou “falhas” na Operação Lava Jato e inconsistências na condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no processo do triplex do Guarujá, litoral Norte de São Paulo.
“O que o Brasil está a viver é uma desonesta instrumentalização do seu sistema judicial a serviço de um determinado e concreto interesse político. É o que acontece quando um ativista político atua disfarçado de juiz”, escreveu. Para Sócrates, Moro só chegou a ministro por ter mandado prender Lula.
As críticas de Moro tiveram início durante o VII Fórum Jurídico de Lisboa, quando disse existir “alguma dificuldade institucional” no sistema processual de Portugal, ao se referir a José Sócrates — acusado de 31 crimes, entre eles corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
“É famoso o exemplo envolvendo o antigo primeiro-ministro José Sócrates que, vendo à distância, percebe-se alguma dificuldade institucional para que esse processo caminhe num tempo razoável, assim como nós temos essa dificuldade institucional no Brasil”, afirmou Moro.
O ministro brasileiro reclamou da morosidade do caso. “Há um trabalho que tem sido feito, com esforços consideráveis para apuração de provas, mas segundo algumas autoridades portuguesas com as quais falei, não há uma previsão de término desse processo”, emendou.
Após a resposta vinda do ex-premier português, Moro respondeu às declarações de Sócrates. O ex-juiz da Lava jato em Curitiba afirmou que a dificuldade de lidar com crimes de corrupção é comum a todos os países. “Em relação à pessoa em particular (Sócrates), eu não debato com criminosos pela televisão. Então, não vou fazer mais comentários”, disse, em entrevista a uma TV européia.
O Ministério Público de Portugal acusa Sócrates de recebimento de opina para favorecer o grupo Portugal Telecom. O ex-primeiro-ministro nega todas as acusações.