Brasileiro enfim consegue afastar fantasmas, ultrapassa pela primeira vez na carreira a marca dos seis metros, supera principal rival e estabelece novo recorde olímpico
Há quatro anos, Thiago Braz vivia no anonimato, bem sossegado. O menino de Marília tinha 18 anos e era considerado um talento a ser lapidado dentro do esporte nacional. Longe de todos os holofotes, foi campeão mundial júnior do salto com vara em 2012. No mesmo ano, via o mundo conhecer Renaud Lavillenie, o francês que se tornava campeão olímpico e, posteriormente, recordista mundial. Thiago era um fã assumido do astro.
Ontem, o brasileiro superou todas as expectativas em uma final emocionante e conquistou o ouro derrotando Lavillenie. O francês, grande favorito da prova, passava com facilidade por todas as marcas. O brasileiro seguia na cola deixando outros adversários para trás a cada vez que o sarrafo subia um pouco mais. Quando todos acharam que Thiago havia se contentado com a medalha de prata, o menino de Marília surpreendeu, afinal, ele não tinha nada a perder. Passou pelos 6,03m e viu o até então campeão olímpico, Renaud Lavillenie, sucumbir com cara de espanto e ficar com o segundo lugar (5,98m). O americano Sam Kendricks completou o pódio com a marca de 5,85m.
É O MELHOR DO CONTINENTE
Na história do salto com vara, ninguém na América do Sul saltou mais alto do que Thiago Braz. Em pista aberta, seu recorde era de 5,92m – alcançado no ano passado. Em disputas indoor, sua melhor marca foi 5,93m – no começo de 2016. Os dois resultados já o colocariam em pódio olímpico há quatro anos. Na Rio 2016, Thiago ultrapassou pela primeira vez a marca de seis metros, estabelecendo o novo recorde olímpico.
FANÁTICO – ATÉ DEMAIS – POR AVIÕES
Thiago Braz é apaixonado por aeromodelos. O saltador conseguiu comprar o seu aviãozinho de motor após se mudar para a Itália, em 2014. Ele gastou seu primeiro prêmio de R$ 20 mil com os aviõezinhos. ”Acho que de tanto querer voar acaba tendo a relação com o salto”, diz
UPEROU A DOR DO ABANDONO
O atleta brasileiro foi abandonado pela mãe ainda menino. O avós foram responsáveis pela criação do menino Thiago e contam que, por dias, ele ficou esperando a mãe com a sua mochila nas costas. Ela nunca veio. O avô e avó, por outro lado, viraram referência: ”Todas as qualidades que tenho hoje vieram dos ensinamentos deles, que foram meus pais na realidade”.
O AMOR EM OUTRO SALTO
Apesar de ter 22 anos, Thiago é casado há quase dois. Em 2014, ele subiu ao altar com Ana Paula Oliveira. Os dois se conheceram no ambiente do atletismo. Ana também é atleta e representa o país nas provas do salto em altura, mas não obteve índice para a Rio 2016.
TÉCNICO DAS ESTRELAS
Desde 2014, Thiago Braz vive e mora em Fórmia, na Itália. Em um Centro de Treinamento bem equipado e moderno, ele é comandado pelo ucraniano Vitaly Petrov. O seu técnico foi mentor de ninguém menos que os recordistas mundiais: Sergey Bubka e Yelena Isinbayeva. Na Europa, Vitaly se tornou uma espécie de ”paizão” e apostou alto na evolução de Braz. O investimento é feito pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB).
RESENTE DA LENDA
Sergey Bubka, aliás, é um daqueles que acredita no potencial do jovem Thiago Braz. Há pouco mais de um ano, o brasileiro recebeu das mãos da principal lenda do salto com vara um livro que lhe serve como inspiração.
AJUDA DE MURER NO COMEÇO
Antes de seguir para a Itália, Thiago era lapidado por Elson Miranda, técnico e marido de Fabiana Murer. Quando deixou sua cidade natal, Marília, ele conta que precisou de ajuda para se estabelecer. Na época, contou com apoio da atleta brasileira, atual vice-campeã mundial. Até hoje, é grato.
EM QUADRA
Antes do salto com vara, Thiago Braz tentou iniciar uma trajetória dentro do basquete. Reconhece que não tinha lá muito talento. Foi através de seu tio, Fabiano Braz, que o atletismo ganhou espaço. O parente também praticava e guiou o garoto de Marília para tentar a sorte dentro das pistas.
SUSTO, LESÃO E MEDO
O ano de 2014 reservou um susto para Thiago. Quando suas melhores marcas começaram a aparecer, cada vez mais altas, ele sofreu lesão no punho esquerdo durante competição na Europa. Caiu fora do colchão e até hoje recorda da dor. Precisou de cirurgia. O retorno e os primeiros treinos foram sofridos até adquiria a confiança.
NETO DE PESCADORES
Um dos hobbies de Thiago Braz é pesca. A atividade também serve de terapia para relaxa a cabeça. Quando está visitando o Brasil, seus avós são a companhia perfeita para pegar a vara – desta vez de pesca – e se divertir pelos lagos da região.
Globo Esporte
