Política
Cunha foi inocentado por CPI com sete meses de antecedência
“Nosso presidente sai muito maior do que entrou aqui”, resumiu um deles, o deputado Izalci (PSDB-DF). O “engrandecimento” de Cunha foi repetido por outros parlamentares. Na ocasião, o que estava em questão ainda não eram as contradições e omissões do deputado, mas as declarações de um policial federal preso acusado de distribuir propina a agentes políticos a mando do doleiro Alberto Youssef. As divergências no depoimento do policial Jayme Alves de Oliveira Filho, o Careca, sobre os repasses a Cunha foram utilizadas pelos deputados para absolver sumariamente o presidente da Câmara. “Se não há razão, vamos encerrar essa novela e vamos para o passo seguinte”, defendeu o líder do PT, Sibá Machado (AC).
De lá para cá, Cunha virou alvo de uma avalanche de acusações, que resultou numa denúncia no Supremo Tribunal Federal pela Procuradoria-Geral da República e numa representação no Conselho de Ética. Citado por quatro delatores como beneficiário do esquema de corrupção na Petrobras, o deputado é acusado de manter na Suíça contas bancárias não declaradas às autoridades brasileiras com o propósito de receber propina. Durante o depoimento à comissão de inquérito, ele negou ter contas no exterior. Mentir a uma CPI configura quebra de decoro. Mas esta não foi a única contradição de Cunha em seu depoimento, como mostrou o Congresso em Foco.
Apenas seis deputados mantiveram a postura crítica na reunião da CPI: Chico Alencar (Psol-RJ), Ivan Valente (Psol-SP), Eliziane Gama (então no PPS, hoje na Rede-MA), Maria do Rosário (PT-RS), Afonso Florence (PT-BA) e Jorge Solla (PT-BA). “Quero aqui expressar que a postura do presidente da Casa é uma postura que está à altura do cargo que ele exerce no Parlamento brasileiro, para que não pairem dúvidas acerca do envolvimento do nome dele nesse episódio”, declarou o relator, Luiz Sérgio (PT-RJ).
Na semana passada, sete meses após o depoimento de Cunha, Luiz Sérgio apresentou um relatório final sem qualquer sugestão de indiciamento contra políticos, e sequer uma menção à suposta mentira do peemedebista sobre as contas bancárias no exterior. Embora o colegiado tivesse 26 membros titulares, cerca de 40 parlamentares fizeram intervenções na concorrida reunião. Embora tivesse prometido a voltar a qualquer momento à comissão, o deputado não retornou ao colegiado após o agravamento de sua situação.
Congresso em Foco