O diretor explicou que as interdições realizadas em setembro e outubro do ano passado nas unidades de saúde do município foram resultado da identificação de diversas irregularidades
Após quase cinco meses de uma série de interdições éticas nas unidades do Programa de Saúde da Família (PSF) de Santa Rita, a situação não mudou. É o que constata o Departamento de Fiscalização do Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB). Segundo o diretor do setor, João Alberto Pessoa, cerca de 20 PSFs continuam fechados e a situação pode se agravar com o encerramento do atendimento na área de obstetrícia e ginecologia no Hospital e Maternidade Governador Flávio Ribeiro Coutinho, localizado na cidade.
O diretor explicou que as interdições realizadas em setembro e outubro do ano passado nas unidades de saúde do município foram resultado da identificação de diversas irregularidades, como problemas de infraestrutura nos prédios, falta de profissionais, medicamentos, insumos e equipamentos, entre outros. “Até o momento, nada foi resolvido. A população da cidade de Santa Rita está sofrendo com a falta resolução destes problemas”, disse.
João Alberto acrescentou que o CRM-PB recebeu um ofício da direção do Hospital e Maternidade Governador Flávio Ribeiro Coutinho, em Santa Rita, informando que a instituição será obrigada a não mais atender pacientes de obstetrícia e ginecologia por falta de recursos para custear as despesas. “O hospital está trabalhando no vermelho. São realizados mais de 250 procedimentos por mês no hospital, que tem uma despesa de R$ 404 mil e apenas R$ 160 de recursos. Se a unidade realmente suspender o atendimento, será um caos para população do município”, ressaltou o diretor do CRM-PB.
A situação fica ainda mais preocupante nos casos das mulheres com gravidez de alto risco, já que há uma pactuação entre os municípios que estabelece os hospitais de João Pessoa não devem receber pacientes de outras cidades. “É preciso que os órgãos competentes, prefeitura, governo do estado, Ministério Público busquem medidas de resolver essa situação. O CRM-PB não tem como solucionar o quadro, mas tem buscando providências com os responsáveis”, destacou.
João Alberto ressaltou que a precariedade da saúde em Santa Rita reflete os problemas encontrados em todos os municípios do Estado, inclusive na capital. “Seja na rede privada, pública ou filantrópica, a situação é muito grave. No Hospital do Trauma, há superlotação, parece um acampamento de guerra. No Trauminha, em Mangabeira, faltam materiais, insumos, equipamento. Este só não interditamos ainda para não gerar mais prejuízos para população. Mas os médicos estão sobrecarregados e trabalhando sem as mínimas condições”, disse.
Outro ponto preocupante em relação à saúde no Estado é o déficit de leito. Um levantamento realizado pelo Departamento de Fiscalização do CRM-PB em maio do ano passado identificou um déficit de 319 leitos de pediatria nos hospitais públicos da grande João Pessoa. Segundo João Alberto, a falta de leitos hospitalares destinados ao atendimento infantil se agravou com a redução, nos últimos três anos, de 159 leitos após fechamento do Hospital Santa Paula (em julho de 2012), Hospital João Soares (em abril de 2013) e Hospital Infantil de Santa Rita (em janeiro de 2012).
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