A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga denúncias de caixa dois, improbidade administrativa, licitações fraudulentas e desvios de recursos, formuladas pelo ex-tesoureiro da Prefeitura de Campina Grande, Rennan Trajano contra o ex-prefeito Veneziano Vital do Rêgo (PMDB), decidiu ontem (06) em reunião deliberativa, que vai requerer na próxima segunda-feira (10), a quebra dos sigilos fiscais e bancários de construtoras e a convocação de ex-secretários da gestão do ex-prefeito. Os integrantes da CPI ainda resolveram mudar o nome da comissão para CPI do Tesoureiro em substituição a ‘Lava Rêgo’.
De acordo com o presidente da CPI, o vereador João Dantas (PSD), as empresas JGR Construções, Compec e Contérmica e seus respectivos sócios, citados pelo ex-tesoureiro, terão os sigilos fiscais e telefônicos quebrados. Além disso, serão alvo de sindicância patrimonial.
“Após a quebra dos sigilos fiscais e bancários das empresas e seus proprietários e seus respectivos balanços patrimoniais e com toda a documentação em mãos, vamos convocar os empresários para prestar depoimentos, o ex-tesoureiro, os ex-secretários municipais e um ex-vereador”, o presidente da CPI do Tesoureiro.
João Dantas disse que na próxima semana o delator Rennan Trajano deve ser ouvido pela CPI e que cerca de seis ex-secretários municipais da gestão de Veneziano serão convocados para oitivas, além de sócios e gerentes das construtoras e empresas investigadas. Dentre os nomes citados pelo vereador estão o do ex-procurador geral do município Fábio Tomaz, ex-secretários de finanças Júlio Cesar Cabral e Levi Leite e do ex-secretário de obras Alex Azevedo.
O vereador lembrou que os únicos nomes com óbice para a CPI são do deputado federal Veneziano Vital e do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo Filho, que também teve seu nome citado por Rennan Trajano e teria recebido dinheiro da Prefeitura de Campina Grande, através dessas empresas, durante sua campanha ao Senado, em 2010.
“Iremos convocar todos os envolvidos, quem recebeu dinheiro, quem emitiu cheques sem fundo, todos serão ouvidos, o único óbice é o foro privilegiado de Vital e Veneziano. Se o deputado Veneziano acha que a Comissão é uma investigação natimorta, abra mão de sua prerrogativa e vá depor na CPI “, disse João Dantas.
Entenda o Caso:
Em entrevista à Folha de S.Paulo, Rennan Trajano disse que R$ 10,3 milhões da prefeitura campinense teriam sido desviados para uma empreiteira de fachada. Ele também afirma ter levantado cerca de R$ 10 milhões junto a agiotas para as campanhas dos Vital do Rêgo. O ex-tesoureiro revelou que fez entregas ao irmão do ministro, o deputado federal Veneziano Vital do Rêgo, e a firmas que atuavam nas campanhas da família.
A JGR, segundo Rennan Farias, teria sido usada para desviar recursos do município à campanha ao Senado do atual ministro do TCU Vital do Rêgo. Segundo o escritório, os proprietários da JGR não são localizados há anos pelos próprios contadores, que tentam receber uma dívida antiga. Outro endereço indicado em documentos da prefeitura é uma sala desativada há anos. Em outros dois endereços atribuídos à JGR estão um ambulatório e outro escritório de contabilidade.
Veneziano classificou as declarações de Rennan Trajano de “infâmias” e “delinquências verbais” sobre as quais “não faltam estímulos e subvenções”. “A obtenção de recursos financeiros em minhas campanhas eleitorais sempre ocorreu de conforme as regras legais, sendo as contas respectivas devidamente aprovadas”, disse o deputado. Já o ministro Vital do Rêgo Filho negou ter recebido recursos do ex-tesoureiro da Prefeitura de Campina Grande. Ele disse ainda não ter relações de qualquer natureza com as pessoas citadas.
Redação com ClickPB