A pequena alta da inflação de 0,14% em abril – a menor para o mês desde o início do Plano Real, em 1994 – registrada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi influenciada sobretudo pela queda nos preços administrados, como combustíveis e energia elétrica. O cenário, entretanto, ainda não significa um alívio para o bolso dos consumidores, que não perceberam quaisquer sinais de melhora no seu poder de compra nos últimos meses.
De uma maneira geral, comerciantes, motoristas e aposentados têm adotado a estratégia de cortar quaisquer gastos desnecessários ou pesquisar muito antes de comprar algum produto ou contratar um novo serviço.
Para além dos preços administrados, o preço dos alimentos, que representou um discreto alívio no mês de março, mas voltou a subir 0,58% em abril, ainda é um dos fatores que mais pesam no orçamento das famílias. Tanto é que a estratégia de bater perna à procura das melhores ofertas, e a substituição de produtos de marcas famosas por mercadorias mais baratas, voltou a ser uma opção para um número cada vez maior de pessoas.
“Rapaz, fazia tempo que o meu salário de escrevente não comprava tão pouco. Parece que diminui a cada dia”, relata João, profissional de um Tabelião de Notas há mais de 35 anos. “Parece que dão pra gente com uma mão e tiram com a outra. Se alguma conta vem mais baixa em algum mês, é quase certo que vamos ter outro gasto que consuma o que estamos poupando”, desabafa.