Eleições
Ciro Gomes, ACM e João Campos saem das urnas enfraquecidos e PT mantém hegemonia no NE
As urnas do primeiro turno das eleições de 2026 produziram uma série de derrotas para grupos tradicionais da política nordestina e impuseram um revés a nomes que buscavam ampliar ou recuperar espaço no cenário nacional. Ciro Gomes (PSDB), ACM Neto (União Brasil) e João Campos (PSB) foram derrotados nas disputas pelos governos do Ceará, da Bahia e de Pernambuco.
Os resultados também atingiram outras estruturas políticas tradicionais. Em Alagoas, a família Calheiros perdeu a disputa pelo governo e uma das duas vagas ao Senado e viu Arthur Lira (PP), um dos principais adversários do grupo, ser eleito senador. No Piauí, Ciro Nogueira (PP), uma das principais lideranças do Centrão, também ficou fora do Senado.
No outro lado desse cenário, o PT manteve o controle de Estados estratégicos do Nordeste. Jerônimo Rodrigues foi reeleito na Bahia, Elmano de Freitas conquistou novo mandato no Ceará e Rafael Fonteles foi reeleito no Piauí. Os três governadores venceram no primeiro turno.
Ciro Gomes perde no Ceará e vê grupo Ferreira Gomes dividido
No Ceará, Elmano de Freitas (PT) foi reeleito governador no primeiro turno e derrotou Ciro Gomes, que voltou a disputar o comando do Estado. O resultado também consolidou a divisão dos irmãos Ciro e Cid Gomes, que estiveram em lados opostos pela primeira vez em uma eleição majoritária.
Ciro teve apoio de setores da oposição ao grupo petista e contou ainda com aproximação de nomes ligados ao bolsonarismo durante a campanha. Do outro lado, Elmano reuniu o apoio de Lula, do ex-governador Camilo Santana e de Cid Gomes, que teve papel importante na articulação política da campanha petista.
A derrota representa um revés para Ciro também no plano nacional. Ex-candidato à Presidência e uma das figuras mais conhecidas da política brasileira, ele apostava no retorno ao governo cearense para reconstruir sua força política.
ACM Neto perde novamente para o PT na Bahia
Na Bahia, ACM Neto (União Brasil) voltou a perder para o PT na disputa pelo governo estadual. O ex-prefeito de Salvador foi derrotado pelo governador Jerônimo Rodrigues.
A derrota repete o desfecho de 2022, quando ACM Neto também perdeu a disputa pelo Palácio de Ondina para um candidato petista. Desta vez, o ex-prefeito de Salvador chegou a aparecer numericamente à frente nas pesquisas durante parte da campanha, mas Jerônimo conseguiu virar o cenário na reta final.
O resultado mantém uma sequência de aproximadamente duas décadas de domínio do PT no governo baiano. A legenda governa o Estado desde 2007, quando Jaques Wagner foi eleito pela primeira vez. Depois dele, Rui Costa e Jerônimo Rodrigues deram continuidade ao ciclo petista.
João Campos perde e vê projeto nacional adiado
Foto: Reprodução/Globo News / Estadão
Em Pernambuco, a derrota de João Campos (PSB) para Raquel Lyra (PSD) também tem consequências que ultrapassam a política estadual. O ex-prefeito do Recife era apontado como um possível nome para a sucessão de Lula em 2030 e apostava na disputa pelo governo como forma de ampliar sua projeção nacional.
Raquel foi reeleita no primeiro turno após uma campanha em que conseguiu reverter a vantagem inicial de João. O resultado representa um revés para o projeto do socialista, que deixa a eleição sem um cargo executivo estadual e terá de reconstruir sua trajetória a partir do Recife e da estrutura partidária.
Família Calheiros sofre derrota dupla em Alagoas
Foto: Divulgação/MDB
Em Alagoas, o revés atingiu uma das famílias mais tradicionais da política brasileira. Renan Filho (MDB), que buscava voltar ao governo estadual, perdeu para JHC (PSDB), aliado de Flávio Bolsonaro (PL).
No Senado, Renan Calheiros (MDB) também não conseguiu a reeleição. O senador, que ocupa uma cadeira na Casa desde 1995, terminou atrás de Arthur Lira (PP) e Marina JHC (PSDB), que ficaram com as duas vagas em disputa.
A vitória de Lira tem peso político particular. Ex-presidente da Câmara dos Deputados e adversário histórico dos Calheiros em Alagoas, ele chega ao Senado enquanto Renan deixa a Casa ao fim do atual mandato.
Apesar da derrota, a família não ficará sem representação no Senado. Renan Filho foi eleito senador em 2022 e tem mandato até 2030. Nos primeiros anos do mandato, porém, afastou-se da atividade parlamentar para comandar o Ministério dos Transportes no governo Lula.
Ciro Nogueira também fica fora do Senado
Foto: Lula Marques/Agência Brasil / Estadão
Outro nome de peso atingido pelas urnas foi Ciro Nogueira (PP-PI). Líder do Centrão e ex-ministro de Jair Bolsonaro, o senador terminou a disputa em terceiro lugar no Piauí, atrás de Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD), que conquistaram as duas vagas.
A derrota ocorreu em meio às investigações relacionadas ao Banco Master. Nogueira foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero e teve seu nome associado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O senador nega irregularidades.
No Maranhão, outro senador de peso, Weverton Rocha (PDT), também ficou fora da disputa pelas duas vagas. O parlamentar terminou em quarto lugar, enquanto Lahesio Bonfim (Novo), Fufuca (PP) e Roseana Sarney (MDB) conquistaram as cadeiras.
Weverton também foi alvo de uma operação da Polícia Federal relacionada às investigações sobre fraudes no INSS.
PT preserva domínio em Estados estratégicos
Enquanto adversários de diferentes correntes perderam espaço, o PT conseguiu preservar posições importantes no Nordeste. Na Bahia, Jerônimo Rodrigues foi reeleito; no Ceará, Elmano de Freitas também garantiu novo mandato; e no Piauí, Rafael Fonteles foi novamente eleito.
O desempenho é relevante para Lula porque Bahia, Ceará e Piauí estão entre os Estados nordestinos nos quais o presidente mantém forte presença eleitoral e política. As três vitórias estaduais também ajudam a preservar uma rede de governos aliados para a segunda etapa da eleição presidencial.
Ao mesmo tempo, o mapa regional não é homogêneo. Alagoas passou ao comando de JHC, Pernambuco continuará com Raquel Lyra e o Maranhão será governado por Eduardo Braide (PSD). No Rio Grande do Norte, a disputa ainda terá segundo turno entre Allyson Bezerra (União Brasil) e Cadu de Lula (PT).
Fonte: Portal Terra – Fotos: Terra