Policial
‘Casal Mega Filmes’ vende salgados após prisão: ‘Não temos vergonha’.
Com os carros apreendidos, eles usam veículo emprestado para entregas.
Suspeitos de Cerquilho (SP) respondem em liberdade pelo site de pirataria.
O casal dono do site Mega Filmes HD, que fornecia filmes e séries de forma ilegal pela internet,tenta recomeçar a vida com a entrega de salgados. “Não temos vergonha. Antes do ‘boom’ do site éramos pobres, não tem problema nenhum”, afirmam Thalita Cardoso e Marcos Cardoso, que vivem em Cerquilho (SP), em entrevista .
Vende pelo Facebook
Além de cozinhar na companhia da mãe, de uma tia e prima, Thalita atende pedidos em casa e por rede social. Segundo a dupla, Marcos faz as entregas com um Volkswagen Voyage de 1987 emprestado pelo tio de Thalita, já que os quatro veículos do casal, entre eles um BMW e o ‘Jettão’ tunado, como eles chamavam o automóvel, foram apreendidos.
“O importante é que ele funciona. Quando chegamos da prisão ouvimos coisas horrorosas, tem gente que nunca mais falou conosco. Mas a maioria, até pessoas desconhecidas, está do nosso lado. Alguns amigos e nossos parentes nos ajudaram muito com uma verba para começar a trabalhar e ferramentas para fazer os salgados, já que não sobrou nada de dinheiro”, conta Thalita.
Ainda segundo o casal, abrir o próprio negócio de alimentação era um dos planos antes da prisão. “Já queríamos abrir um restaurante antes do que aconteceu. Então, estamos correndo para fazer dar certo. Além de fazer e entregar salgados, à noite trabalho como gerente em um bar da cidade”, afirma Thalita.
Ela acredita que um dos fatos para ter sido contratada como gerente do bar é a popularidade que ganhou na cidade após ter sido presa pelo site. “Teve até cliente que tirou foto (risos). Como a cidade é pequena, muita gente me reconhece na rua. Até por isso as vendas dos salgados vão bem. Uma dupla sertaneja até quer me contratar para fazer a divulgação do trabalho deles aqui na região”, aponta. Cerquilho tem 44,3 mil habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Ter dois trabalhos ajuda Thalita a esquecer o que aconteceu. Segundo ela, desde que saiu da prisão tem descansado e comido pouco. “Durmo umas quatro horas por dia, mas estou melhorando. Trabalhar desde a manhã com os salgados e no bar à noite ajuda porque, se parar para pensar, é difícil. Aqui em casa a prisão é assunto encerrado”, revela.
Além da incerteza de voltar ou não à prisão, o processo criminal “suspendeu” a vida do casal. “Estávamos com o casamento marcado para duas semanas depois quando fomos presos. Agora nem quero ir a festas de casamentos. Tínhamos também planos de ter filhos, mas agora como posso ficar grávida se posso ficar presa de novo? Na prisão, a gente se sente como um rato, comendo e dormindo quando os outros querem”, reflete.
Para Marcos, a experiência tem sido menos danosa, afirma. O ex-dono de um dos maiores sites de pirataria do Brasil diz estar arrependido. “Nunca tinha enfrentado algo como ficar dez dias preso, e olha que a prisão onde fiquei não era tão ruim pelo que os outros detentos falaram. O interessante é que todos são tratados iguais, ricos e pobres. Uns 80% dos presos queriam voltar a fazer crimes depois de sair. Mas eu estou fora”, conclui.
O site, controlado pela dupla e os outros suspeitos, oferecia um acervo com cerca de 150 mil filmes, documentários, séries de TV e shows. No portal, conforme a PF, os envolvidos faziam transmissão de programas antes mesmo das estreias oficiais. Milhares de internautas se manifestaram em redes sociais contra o fechamento do site de pirataria Mega Filmes HD, após operação da Polícia Federal.
Um levantamento da polícia apontou que a página chegou a receber 60 milhões de visitas por mês no primeiro semestre de 2015. Deste número, 85% eram de brasileiros e 15% de países como Portugal e Japão. Em apenas uma rede social, o portal tinha mais de 4,5 milhões de seguidores. A renda obtida pelos suspeitos, estimada em R$ 70 mil, vinha por cobrança de publicidade exibida no site.
O advogado disse que o casal admitiu que fazia o mesmo negócio no Japão, onde morou por nove anos, e que não sabia que o caso era tão grave. A dupla responde pelos crimes de violação de direito autoral (pirataria) e associação criminosa.
Com G1