O Candida auris é uma espécie de fungo que foi identificado pela primeira vez há uma década. O primeiro registro foi feito na Coreia do Sul no canal auditivo de um paciente. Alguns anos mais tarde, apareceu em ambientes hospitalares do Japão e começaram a aparecer surtos na Índia, na África do Sul, na Venezuela, na Colômbia, nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Espanha.
O fungo é do mesmo gênero (Candida) do fungo Candida albicans, um dos principais causadores de candidíase, mas as espécies são bem diferentes. A candidíase por C. albicans é uma doença que pode afetar pele, unhas e órgãos genitais, mas é comum e de fácil tratamento. A infecção pelo Candida auris, por sua vez, é resistente a medicamentos e pode ser fatal, afirmou o infecctologista Alberto Colombo, professor da Unifesp, à BBC Brasil.
É possível ser colonizado de forma passageira pelo C. auris na pele ou na mucosa sem ter problemas. O risco de morte acontece quando o fungo entra na corrente sanguínea. De acordo com a reportagem da BBC, pesquisas apontam um índice de mortalidade de 59% para infecções com C. auris.
O grupo de risco é formado por pessoas que tenham passado por cirurgias, tenham o sistema imunológico comprometido, estejam internados em unidades de terapia intensiva ou tenham feito uso prévio de antibióticos ou antifúngicos.
De acordo com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o fungo Candida auris ainda não foi registrado no Brasil. Em 2017, em razão de ocorrências em países da América Latina, a Agência fez um documento com orientações às unidades de saúde do país. Desde então, recebe notificações de casos suspeitos, mas, até o momento, nenhum dos avisos foi confirmado.
Um dos aspectos assustadores do Candida auris é a resistência dele aos medicamentos antifúngicos atuais, acredita-se que ele seja uma linhagem que conseguiu desenvolver resistência aos medicamentos tradicionais para combater fungos.
Recomendações – Apesar de os mecanismos de transmissão ainda não serem conhecidos, as evidências iniciais sugerem que a disseminação se dá por contato com superfícies ou equipamentos contaminados de quartos de doentes colonizados ou infectados.
Nesse sentido, a Anvisa sugere como medidas de prevenção: higienização das mãos para todos os profissionais de saúde, visitantes e acompanhantes; a disponibilização contínua de insumos para a correta higienização das mãos e de luvas e aventais para o manejo do paciente e suas secreções, além da correta paramentação para lidar com o ambiente em torno do paciente colonizado ou infectado.