A Bugatti apresentou oficialmente o Brouillard, primeiro modelo da recém-criada divisão Solitaire, voltada a um público extremamente restrito.
A proposta dessa nova linha é radical: cada veículo será produzido em um único exemplar, garantindo exclusividade absoluta ao comprador. O nome faz referência a Brouillard, o cavalo preferido de Ettore Bugatti, fundador da marca.
O hipercarro mantém a ligação com seu nome não apenas no batismo, mas também na força. Sob o capô, abriga um motor 8.0 W16 com quatro turbocompressores, capaz de entregar impressionantes 1.599 cavalos de potência.
O sistema de refrigeração é alimentado por generosas entradas de ar instaladas no teto de vidro, elemento característico herdado do Bugatti Mistral. Segundo a fabricante, este será um dos últimos modelos equipados com o icônico propulsor W16, já próximo de se despedir do catálogo.
O tributo ao cavalo também se reflete no interior. Bordados retratando o animal estão presentes nos bancos, enquanto padrões xadrez decoram o volante multifuncional e parte do acabamento. Todo o revestimento interno é feito de couro natural verde, aplicado manualmente, com discretos detalhes em tecido francês de alta qualidade. Um dos destaques de design é a alavanca de câmbio, protegida por uma redoma de acrílico e ornamentada com uma escultura do cavalo Brouillard.
Na traseira, o carro exibe duas saídas de escape de grandes dimensões e lanternas horizontais com efeito visual quase holográfico. A carroceria mescla alumínio e fibra de carbono, garantindo rigidez e leveza, enquanto elementos como o difusor e a parte inferior do para-choque dianteiro deixam a fibra exposta. Os faróis de LED seguem o estilo do Mistral, reforçando a conexão visual entre os modelos.
A Bugatti ainda não revelou números de torque, aceleração ou velocidade máxima, que devem ser anunciados oficialmente durante o Monterey Car Week, evento automotivo que ocorre na Califórnia na próxima semana. O nome do comprador do único exemplar permanece em sigilo, assim como o valor pago.
Sobre o futuro da divisão Solitaire, a fabricante já antecipou que a meta é lançar dois novos modelos por ano, mantendo a filosofia de produção única e artesanal. O sucessor do Brouillard, segundo a empresa, já está em fase de desenvolvimento.
A montador – A Automobiles Ettore Bugatti foi uma fabricante de automóveis de alto desempenho que teve origem alemã e, posteriormente, francesa.
Fundada em 1909, na então cidade francesa de Molsheim, na Alsácia, pelo designer industrial italiano Ettore Bugatti, a marca rapidamente se destacou pelo requinte de seus projetos e pelo sucesso nas pistas.
Entre os modelos mais icônicos estão o Type 35 Grand Prix, o luxuoso Type 41 “Royale”, o elegante Type 57 “Atlantic” e o esportivo Type 55.
O falecimento de Ettore Bugatti, em 1947, representou um duro golpe para a empresa, agravado pela morte precoce de seu filho e herdeiro, Jean Bugatti, em 1939. Sem um sucessor para conduzir a fábrica, a produção nunca ultrapassou cerca de 8 mil veículos. A marca enfrentou sérias dificuldades financeiras e, na década de 1950, lançou seu último modelo antes de ser adquirida, em 1963, para atuar no segmento de peças aeronáuticas.
O renascimento da Bugatti ocorreu em 1987, quando um empresário italiano comprou os direitos da marca e a reativou sob o nome Bugatti Automobili S.p.A., iniciando uma nova fase de produção de carros exclusivos e de altíssimo desempenho.
Foto: divulgação; Fonte: Estadão