Economia
Brasileiros já investem mais em criptomoeda do que em ações e previdência
O interesse dos brasileiros por investimentos digitais vem crescendo e já começa a alterar o cenário tradicional do mercado financeiro.
As criptomoedas ganham espaço enquanto aplicações mais conhecidas, como ações, títulos públicos e previdência privada, perdem protagonismo entre parte dos investidores.
Levantamento divulgado pela Anbima na quinta-feira (16) mostra que essa mudança é puxada principalmente pelos mais jovens, em especial a chamada Geração Z. O estudo considerou 168,1 milhões de brasileiros com 16 anos ou mais.
De acordo com os dados, 4% dos entrevistados afirmaram investir em criptomoedas — ativos digitais descentralizados que utilizam tecnologia blockchain para registrar transações com segurança e sem a necessidade de bancos tradicionais.
No mesmo recorte, apenas 2% disseram aplicar em ações, 2% em títulos públicos e outros 2% em previdência privada.
Os títulos públicos, por exemplo, são investimentos emitidos pelo governo para financiar suas atividades, oferecendo ao investidor uma remuneração ao longo do tempo com diferentes níveis de risco e retorno.
Já a previdência privada funciona como uma forma de poupança de longo prazo voltada à aposentadoria, geralmente com aportes regulares e benefícios fiscais em alguns casos.
Apesar do avanço das criptos, aplicações tradicionais ainda lideram. A poupança aparece com 22% da preferência, seguida por títulos privados (7%) e fundos de investimento (5%).
Ainda assim, os ativos digitais vêm conquistando espaço relevante nas carteiras dos brasileiros.
Outro dado que chama atenção é o uso das criptomoedas como estratégia de longo prazo.
Segundo a pesquisa, 12% dos brasileiros já enxergam esses ativos como uma alternativa para aposentadoria, ficando atrás apenas da poupança (25%) e de instrumentos como títulos privados (19%) e fundos (16%).
A Geração Z, formada por jovens entre 16 e 29 anos, aparece como principal motor dessa transformação.
Mais familiarizados com tecnologia e com maior acesso a plataformas digitais, esses investidores têm migrado para opções consideradas mais modernas, deixando em segundo plano modalidades tradicionais.
As redes sociais desempenham papel central nesse movimento. Plataformas como YouTube (49%) e Instagram (45%) são as principais fontes de informação financeira para esse público, com destaque para os chamados “finfluencers”, criadores de conteúdo especializados em finanças.
Segundo a Anbima, esses influenciadores têm contribuído para popularizar o universo dos criptoativos, tornando o tema mais acessível e atraente para novos investidores.
Entre os ativos mais comentados estão Bitcoin, Ethereum e Solana. O Bitcoin, por exemplo, já ultrapassou a marca de US$ 75 mil em determinados momentos, reforçando o interesse global pelo setor.
Paralelamente, o mercado financeiro também acompanha inovações como a tokenização, processo que transforma ativos tradicionais — como imóveis ou commodities — em representações digitais negociáveis em blockchain.
A própria Anbima iniciou, em abril, uma série de workshops para difundir esse conceito no país.
Outro segmento em expansão é o das stablecoins, criptomoedas atreladas a moedas tradicionais, como o dólar, com o objetivo de reduzir a volatilidade.
Há expectativas, inclusive, de que a China desenvolva uma versão vinculada ao yuan nos próximos anos, o que pode impactar o mercado global.
Com a liderança da Geração Z e a crescente disseminação de conteúdo sobre o tema, o Brasil tende a se consolidar como um dos principais mercados emergentes no setor de criptoativos.
O aumento do uso desses ativos como reserva para o futuro indica uma mudança estrutural no comportamento dos investidores, que passam a considerar alternativas digitais em pé de igualdade com opções mais tradicionais.
Fonte: BPMoney – Foto: IA