Jogos Olímpicos de Inverno

Brasil conquista ouro nas Olimpíadas de Inverno com Lucas Pinheiros

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O Brasil entrou para a história dos Jogos Olímpicos de Inverno com uma conquista inédita. O esquiador Lucas Pinheiro Braathen garantiu a primeira medalha do país — e também da América Latina — na competição ao vencer o slalom gigante do esqui alpino nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina. O resultado coroou a estreia brasileira no pódio com um sonhado ouro.

A prova foi disputada na manhã desta sexta-feira (14) e teve domínio do atleta brasileiro desde a primeira descida. A medalha de prata ficou com o suíço Marco Odermatt, enquanto o bronze foi para Loic Meillard.

Até então, o melhor desempenho do Brasil em Jogos de Inverno havia sido o nono lugar de Isabel Clark, no snowboard cross, em Turim 2006.

Lucas registrou o melhor tempo da primeira descida, com 1min13s92, abrindo quase um segundo de vantagem sobre Odermatt. Apesar de demonstrar insatisfação logo após concluir o percurso, nenhum adversário conseguiu ameaçar sua liderança.

Na segunda apresentação, o brasileiro completou a pista em 1min19s95, fechando a soma em 2min25s00 e confirmando o título olímpico.

Com o resultado, o Brasil tornou-se o nono país a conquistar ouro no slalom gigante, juntando-se a nações tradicionais da modalidade como Áustria, Suíça, Itália, França, Noruega, Estados Unidos, Suécia e Alemanha.

Também passou a ser o terceiro país do Hemisfério Sul a subir ao pódio em Jogos de Inverno, depois de Austrália e Nova Zelândia.

A vitória confirma a expectativa criada em torno de Lucas antes da competição. O atleta chegou a Milão-Cortina como um dos favoritos ao pódio, ocupando a segunda posição do ranking mundial do slalom gigante e acumulando três medalhas de prata em etapas da Copa do Mundo na temporada.

Nascido em Oslo, Lucas é filho do norueguês Bjorn Braathen e da brasileira Alessandra Pinheiro de Castro. Em entrevista ao UOL, em 2024, ele relembrou a história dos pais:

“Parece roteiro de filmes clássicos de comédia romântica, mas é real. Meu pai veio ao Brasil a passeio nos anos 1990 e trocou olhares com a minha mãe Alessandra no aeroporto, em São Paulo. Os dois embarcaram no mesmo voo para Miami, nos Estados Unidos, e, acreditem ou não, sentaram-se lado a lado (…) A paixão foi arrebatadora e minha mãe se mudou para a Noruega para viver esse amor com meu pai”.

A decisão de defender o Brasil veio em 2024, após um período de incertezas na carreira e briga com a confederação norueguesa. Segundo Anders Pettersson, presidente da Confederação Brasileira de Desporto na Neve, o atleta procurou a entidade após se sentir desmotivado com a condução de sua carreira na Noruega.

“[Lucas] Tinha 23 anos e disse que tinha perdido o prazer de competir, que a confederação norueguesa não estava tratando da maneira que achava que era adequada. Depois, nos procurou e falou sobre o interesse de voltar a competir. Estávamos acompanhando a carreira. A mãe é de Campinas, mas, à época, ele não tinha passaporte brasileiro. Deu entrada na papelada, conseguiu e iniciamos o processo para ele defender o Brasil”.

Em declaração ao UOL, em setembro do ano passado, Lucas destacou o significado de representar o país: “Quero mostrar que é possível para um brasileiro se destacar em uma modalidade tão tradicionalmente europeia. Crescer entre duas culturas me ensinou que a diversidade é uma força. O Brasil é um país de várias culturas, e eu quero representar isso nas competições”.

Além do ouro, Lucas também teve papel de destaque na cerimônia de abertura dos Jogos. Ao lado de Nicole Silveira, ele foi o porta-bandeira da delegação brasileira e fez questão de exibir, durante o desfile, o desenho da bandeira nacional estampado no interior do casaco oficial.

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