Escândalo Financeiro
Banco Master: o equipamento da PF que está causando apreensão em Brasília
O temor que se espalhou por Brasília após a apreensão de celulares na operação do Banco Master não é exagero — ele tem origem em uma tecnologia que só a Polícia Federal domina hoje no país. A PF é o único órgão capaz de acessar o conteúdo de um telefone mesmo sem senha e com o aparelho totalmente desligado. A informação é do blog da jornalist Andreia Sadi, no G1.
Enquanto outras forças policiais conseguem, no máximo, quebrar bloqueios de tela, extrair dados de um celular desligado representa um salto técnico muito maior. Essa barreira, atualmente, só é superada pela perícia federal.
O procedimento envolve um recurso da física conhecido como “gaiola de Faraday”. Os aparelhos são colocados em estruturas metálicas especiais — caixas ou bolsas — que impedem qualquer comunicação com o ambiente externo, bloqueando sinais de Wi-Fi, dados móveis e Bluetooth.
Esse isolamento é decisivo. Caso o celular se conecte a uma rede ao ser ligado, há risco de apagamento remoto do conteúdo. Dentro da gaiola, os peritos operam o dispositivo completamente desconectado do mundo, preservando todas as informações armazenadas.
O nervosismo nos bastidores do poder cresce porque os aparelhos estão nas mãos da Justiça e pertencem a nomes com forte trânsito político, como Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, seu cunhado e o investidor Nelson Tanure.
A tecnologia utilizada pela PF não admite extrações parciais. Ou tudo é copiado, ou nada. Segundo apuração do blog, os peritos realizam o download integral do conteúdo do aparelho antes de iniciar a análise.
Isso inclui mensagens, fotos, e-mails, registros antigos e dados que podem não ter relação direta com a investigação.
É justamente essa devassa completa em celulares de figuras influentes que explica o clima de apreensão — e silêncio — que tomou conta da capital federal.
Foto: EBC – Fonte: G1