Desde 1996, quando Robert Scheidt fez sua primeira disputa olímpica, Brasil sempre esteve presente no pódio; prata fica com a Nova Zelândia e bronze com a Dinamarca
Era a última regata da vela na Olimpíada do Rio, a chance final de medalha para o Brasil na segunda modalidade que mais rendeu pódios ao país na história dos Jogos. E não dava para passar em branco logo em casa. A redenção veio com emoção. Teve estratégia, ultrapassagem na reta final e uma atuação perfeita da dupla Martine Grael e Kahena Kunze na classe 49erFX. Na tarde desta quinta-feira, as brasileiras venceram a medal race com o tempo de 21m22s e deixaram claro que na Baía de Guanabara são elas que mandam. Uma medalha de ouro para fazer jus à fama do esporte na história olímpica.
Foi como velejar no quintal de casa. Em uma categoria muito equilibrada, com quatro duplas chegando à regata da medalha na disputa pelo ouro, Martine e Kahena fizeram valer o fator casa. Depois de vencerem os dois eventos testes que foram realizados no local, chegaram ao dia decisivo da classe praticamente empatadas com os barcos da Nova Zelândia, Dinamarca e Espanha. E a vitória do ouro, disputada na raia do Pão de Açúcar, veio por uma diferença de apenas dois segundos. Para celebrar? Mergulho coletivo nas águas criticadas e que geraram apreensão durante todo o ciclo olímpico. Mas que garantiram ao Brasil uma sequência importante na vela: desde 1996 que o país conquista pelo menos uma medalha no esporte.
A prata ficou com a dupla da Nova Zelândia, Alex Maloney e Molly Meech, o bronze para as dinamarquesas Jena Hansen e Katja Steen Salskov-Iversen.
A dupla brasileira largou bem e passou a primeira das cinco boias na terceira posição. O problema é que uma dos barcos que estava na frente, da Nova Zelândia, era rival direto na luta pelo ouro. Era preciso fazer as escolhas certas, sem margens para erros. Era hora de lembrar quem estava competindo no quintal de casa.
Foi uma verdadeira caça às neozelandesas. A cada boia, a diferença caia: 21 segundos, 13 segundos, seis segundos. Na última boia, a ultrapassagem levantou o público que acompanhava a decisão na Praia do Flamengo. As brasileiras optaram por um lado da raia, as rivais pelo outro. A estratégia de Martine e Kahena foi perfeita e elas viraram a regata na última boia. E ao invés de voltarem pelo mesmo lado, resolveram ”marcar” a dupla da Nova Zelândia. O que se viu então foi uma chegada emocionante. Quem vencesse, ficaria com o ouro. E deu Brasil, com apenas dois segundos de diferença e festa assim que a linha de chegada foi ultrapassada.
As últimas provas finais da vela começaram no início da tarde desta quinta-feira. No 470 feminino, o ouro ficou com a dupla eslovaca Tina Mrak e Veronika Macarol. A prata para as holandesas Afrodite Zegers e Anne Loes. O bronze ficou com a dupla da Nova Zelândia Jo Aleh e Polly Powrie. No masculino, o pódio ficou assim: Sime Fantela e Igor Marenic, da Croácia, com o ouro; Mathew Belcher e Will Ryan, da Austrália, com a prata; e bronze com os gregos Panagiotis Mantis e Pavlos Kagialis.
Na 49er Masculina, os neozelandeses Peter Burling e Blair Tuke terminaram a regata da medalha em primeiro lugar e puderam comemorar a vitória com sobras. A Austrália, com Nathan Outteridge e Iain Jensen chegou em 4º lugar e levaram a prata. O bronze ficou com os alemães Erik Heil e Thomas Ploessel, que fecharam a regata no 8º lugar.
Globo Esporte
