Esportes
Aline Pará sonha voltar à seleção brasileira, agora na comissão técnica
Depois rodou por mais alguns times. Ganhou vários títulos nacionais. Chegou à seleção brasileira, onde participou de duas Olimpíadas – Atenas 2004 e Pequim 2008. No ano passado, precisou encerrar a carreira após duas lesões graves, uma em cada ombro. Mas pouco tempo depois foi convidada para um novo desafio: ser treinadora dos times femininos de base do Itajaí, de Santa Catarina. Aceitou. E hoje, aos 34 anos, empolgada com o novo papel, quer ir longe. Sonha em breve integrar a comissão técnica do Brasil.
A paraibana garante que nos últimos três anos viveu um dos momentos mais complicados da vida. Deixar as quadras sequer passava pela sua cabeça. Mas com a lesão nos ombros, que provocava dores crônicas, a ex-jogadora precisou fazer duas cirurgias.
– A primeira contusão foi em 2010. Fiz uma cirurgia no ano seguinte no ombro direito. Foi complicado. Foi um ano parada. Em 2012, voltei a jogar e machuquei o ombro esquerdo, e precisei fazer uma nova cirurgia. Ficou difícil voltar a jogar por esses motivos. Decidi parar. Mas até 2010 foi tudo ótimo, não tinha o que reclamar – disse a ex-atleta, que passou a ser chamada de Pará apesar de ter nascido em João Pessoa, na Paraíba.
Antes de deixar as quadras, ela teve uma carreira vitoriosa: foi pentacampeã da Liga Nacional; octacampeã da Copa do Brasil; bicampeã dos Jogos Pan-Americanos – Santo Domingo 2003 e Rio de Janeiro 2007; além de participar das Olimpíadas de Atenas 2004 e Pequim 2008. Mas vestir a camisa da seleção brasileira, entre 1996 e 2010, é o que mais marcou a paraibana de 1,59 cm.
– Foi uma sensação inexplicável. Eu amava e toda vez que ouvia o hino nacional chorava. Passava um filme na minha cabeça em todos os jogos. Era muito emocionante. Não só representar o Brasil, mas a Paraíba. Sempre falei isso. Foi difícil acreditarem em mim no começo da carreira. Sair da Paraíba com 15 anos e depois ir para duas Olimpíadas representando o país é demais.
Agora, Aline Pará tem o desafio de comandar as equipes das categorias de base do Itajaí, de Santa Catarina, como técnica. Um trabalho para meninas de 12 a 18 anos. Após assumir o posto em 2014, ela revela que novos frutos devem surgir em breve. Mas ela espera ir mais longe e sonha integrar a comissão técnica da seleção brasileira.
– Ainda penso em voltar para a seleção brasileira, mas hoje não como atleta. Quero ocupar um cargo na comissão técnica. Não sei em que categoria, mas irei trabalhar para isso. Representar o Brasil é sempre bom. Vou trabalhar muito como técnica e mais para frente, quem sabe, alcançar uma seleção brasileira. Esse é o meu objetivo hoje.
Choro com o título mundial
Em 2013, a seleção feminina de handebol chegou ao título inédito do Mundial, na Sérvia. Aline Pará teve a oportunidade de disputar essa competição seis vezes. Com a modalidade passando “por uma fase muito positiva”, desta vez, ela espera por uma conquista inédita nas Olimpíadas do Rio em 2016.
O ouro na Sérvia fez Aline ir às lágrimas. Passou um filme pela cabeça da ex-camisa 10 da seleção, justamente pela dificuldade enfrentada pelo esporte nos últimos anos. Ela relembra que as meninas sempre perdiam por 15 gols de diferença e aos poucos esse número foi caindo até conseguir reverter os resultados em favor do Brasil.
– Metade das meninas que estão hoje eu joguei com elas. Alexandra, Dani, a própria Mayssa, que também é paraibana. A gente chegou até a ir juntas para um Mundial (em 2009, na China). Acredito muito e sei do que elas são capazes. Acredito muito em um ouro no Rio e sei que elas vão lutar bastante para isso. Elas são guerreiras, não desistem e a gente ralou muito, muito mesmo para ganhar esse Mundial. Conheço o grupo, conheço o técnico e sei que eles vão trabalhar muito para essa medalha olímpica vir para o Brasil. Vou estar torcendo por elas e acredito muito no handebol feminino – concluiu.
Globoesporte