Governo do PT

A missão de Fernando Haddad antes de deixar o governo

Antes de deixar o Ministério da Fazenda, Fernando Haddad tem uma missão definida: entregar a Lula um estudo detalhado sobre como ‘financiar’ a tarifa zero no transporte público. O prazo estabelecido é abril, e o tema já começa a ganhar peso no debate eleitoral de 2026.

A intenção do governo petista é levar a proposta ao Congresso ainda neste ano e incorporá-la oficialmente ao programa de governo. A ideia é transformar o chamado “SUS do Transporte Público” em uma das principais bandeiras da campanha presidencial, seguindo a lógica de um sistema nacional unificado, semelhante ao modelo adotado na saúde pública.

A avaliação interna é de que zerar a tarifa não se resolve apenas com repasses pontuais, mas exige uma reformulação ampla da forma como o transporte coletivo é financiado no país. Por isso, um sistema integrado, com fontes estáveis de recursos, é visto como o caminho mais viável.

“Encontrei com o presidente Lula no aniversário do PT e ele me perguntou sobre o tema. Estamos fazendo reuniões e ele está muito interessado”, afirmou o secretário de Comunicação do partido, Jilmar Tatto.

No Congresso, o sinal também é de avanço a essa proposta petista. O presidente da Câmara, Hugo Motta, informou a parlamentares e prefeitos que pretende criar uma subcomissão específica para discutir as fontes de financiamento da ‘tarifa zero’, abrindo espaço institucional para o debate.

Enquanto o estudo da Fazenda não fica pronto, o governo utiliza pesquisas acadêmicas como base. Um levantamento aponta que a gratuidade no transporte municipal custaria cerca de R$ 65 bilhões por ano.

Já análises mais amplas indicam que o valor pode chegar a R$ 90 bilhões anuais para implementação em escala nacional.

Uma das alternativas em discussão, atribuída a Jilmar Tatto, prevê a reformulação do vale-transporte. A proposta extingue a cobrança atual de 6% do salário dos trabalhadores e estabelece um pagamento mensal fixo por empregado, entre R$ 100 e R$ 200, pago pelos empregadores.

Esses recursos formariam um fundo nacional estimado em R$ 100 bilhões por ano, considerado suficiente nas contas petistas para sustentar a política de gratuidade.

Com o compromisso assumido diretamente com Lula, Haddad deve concluir e entregar o estudo antes de deixar o cargo. A expectativa no entorno do ministro é de que o tema ganhe ritmo acelerado nas próximas semanas, consolidando-se como uma das principais apostas do governo para as eleições de 2026.

Fonte: DO – Foto: Ministério da Fazenda; Fonte: BPMoney

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