O comitê eleitoral do Partido Socialista Brasileiro (PSB) recebeu o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, para um primeiro encontro após filiação e divulgação da pesquisa Datafolha que o colocou em terceiro lugar nas intenções de votos para Presidência da República. O governador da Paraíba, Ricardo Coutinho(PSB), conhecido por sua simpatia ao ex-presidente Lula e que tentou visita-lo na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba(PR), se disse impressionado com o desemprenho nas pesquisas do ex-ministro, que isso não era tudo, defendeu uma frente ampla pela democracia, além das esquerdas, e questionado disse que Barbosa poderia até liderar esse frente ampla.
No início Coutinho, em coletiva, foi cuidadoso, salientando o primeiro encontro, um verdadeiro conhecimento. Ele disse que Barbosa surge significativo face ao momento de poucas referências nacionais.
“Nós estamos construindo algumas situações que sejam cômodas para o Ministro e cômodas para o partido, portanto não há nada em definitivo. O que existe, apenas, é o reconhecimento de que o nome do Ministro Joaquim Barbosa é um nome potencialmente forte num Brasil, hoje, em que há poucas referências. O Partido, ao lado do Ministro, haverá de conversar sobre essas coisas. Nós estamos conversando sobre essas coisas, particularmente é um primeiro encontro de conteúdo político com, já tinha tido de conteúdo jurídico com o Ministro, mas é o meu primeiro encontro de conteúdo político. Então, eu não tenho opiniões formadas, até porque nem o próprio Ministro ainda não se disse disposto a fazer uma caminhada pelo Brasil colocando sua postulação à Presidência da República”, disse, inicialmente.
Ele foi questionado se lhe impressionava o desempenho inicial do ex-ministro, que não tinha sido lançado por ninguém e que chegava à cena pública como chegava segundo a última pesquisa Datafolha.
“É muito impressionante. O Brasil vive um momento de alto questionamento muito profundo da própria política. Existem forças, por um lado, que tentam diminuir a força da política, e por outro lado existem fatos dentro da política que depõem contra a política. Isso tornou esse cenário um tanto surreal. O Ministro Joaquim Barbosa tem características que impactam fortemente a visão do eleitor médio no Brasil. Isso é um fator, apenas, claro, não é um fator definitivo”, salientou.
Ele foi questionado pelos jornalistas se era o primeiro encontro com Barbosa. “Eu conhecia o Ministro de uma audiência de uns 10 minutos, há uns 7 a 10 anos atrás”. Ele foi perguntado sobre o que achou da conversa e se achava positivo. “A conversa foi muito positiva. A conversa continua. A impressão foi boa”, disse.
Ideias e pensamentos
Ele foi perguntado, sobre as ideias do Ministro e se foi tratado sobre isso no encontro – nesse momento, ele defendeu uma frente pela democracia que vá além das esquerdas.
“O que estamos fazendo é um reconhecimento amplo das ideias. O Ministro tem, ao longo de sua vida, várias ideias, muitas ideias, sobre praticamente tudo, sobre economia, sobre costumes, sobre petróleo, basta pesquisar. Eu, particularmente, não cheguei a fazer essa discussão específica. Nós vamos ter outros momentos, claro, o importante é que além da candidatura, em si, que o PSB pode apresentar do Ministro Joaquim Barbosa, mas que há no partido, uma clareza muito grande, de uma ampla frente democrática em defesa, puramente, da democracia, não é nem uma frente de esquerda, uma frente democrática para, eu vou usar a palavra – reestabelecer um processo democrático mais profundo neste país.”, destacou.
Nesse ponto da conversa com os jornalistas, Coutinho disse que não poderia haver exclusividade e hegemonia, numa clara referência ao PT, apesar dele negar que o recado fosse dirigido do partido do ex-presidente Lula.
“Agora, uma frente depende de outros atores. Se outros atores não querem discutir em pé de igualdade essa frente, sem exclusivismos, nem hegemonia…
O sr. fala do PT?
Eu falo de todos. Se não querem, o PSB se sente no direito de buscar um nome, construir uma candidatura para ofertar enquanto alternativa para o povo… Eu penso, apenas, eu penso, não sei se é majoritário dentro do partido, mas para essa situação em que o país se encontra de aumento vertiginoso da intolerância, do ódio, da violência, da hipertrofia de poderes sobre outros, enfim, um cenário de desagregação de direitos, dos trabalhadores , esse é um cenário muito difícil para a democracia, penso que os democratas, instituições, entidades, personalidades, partidos, precisariam construir um projeto mínimo de se juntarem, disputar juntos a eleições e vencerem.”
PSB
Ele disse que o PSB deve ter protagonismo na cena política face a sua história e tradição.
“Eu penso que o PSB, um partido que tem tradição e história como um partido de médio porte, um partido que governa, com boas experiências, vários estados, o PSB tem como dar uma boa contribuição a esse debate a construir, mas espero, repito, com outras mãos, com outras companhias, sem hegemonias e exclusivismos, para que a gente possa pensar o que é importante e essencial para esse país”, tratando novamente de uma frente.
Nesse momento da coletiva, jornalista questionou se Joaquim Barbosa poderia ser o nome para unir essa frente.
Essa Frente pode ser feita em torno do Ministro Joaquim Barbosa?
“Pode, desde que o Ministro e o Partido convirjam para uma determinada vontade e posição. O que está em jogo não é apenas uma eleição para Presidente, o que está em jogo é o País retomar um caminho natural democrático. Nós estamos em risco com esse processo.”
Outro jornalista salientou sobre o propalado gênio forte de Joaquim Barbosa, considerado por alguns analista como individualista e se isso o preocupava.
“Dizem isso de mim também, eu não sei se é verdade não!”, disse, para risos dos jornalistas.
Ricardo Coutinho saiu antes do final da conversa de Barbosa com a cúpula socialista. Disse que tinha agenda de trabalho na capital federal e que tinha que cumprir, inclusive no Supremo Tribunal Federal(STF).
Redação com Política Real