Seleção Brasileira

Tite: Deu forma à Seleção Brasileira

Some à orientação de Zagallo a Rivellino em 1970, o retrato falado de Neymar feito por Dorival Júnior e Muricy Ramalho, e uma dica de Jürgen Klopp sobre o posicionamento de Coutinho. Eles fazem parte do universo de fragmentos, partículas, referências, chame do que quiser, cruzados por Tite para dar forma à seleção brasileira para a Copa do Mundo que terá seu pontapé inicial daqui a exatamente um ano, no dia 14 de junho de 2018, na Rússia.

O técnico substituiu Dunga há um ano e alçou o Brasil da incômoda sexta posição à liderança, com direito a ser a primeira seleção classificada para o Mundial, e de respeito retomado mundo afora. Como?

Cruzando lembranças, anotações, jogadas, entrevistas, exemplos vividos por si mesmo – como o sofrimento imposto por Gabriel Jesus num clássico paulista – ou colegas de profissão, frases famosas. Ao assumir a Seleção e a responsabilidade de retomar a autoestima até então no fundo do poço, Tite aguçou o sentido da audição.

Ele ouve, ouve, ouve. Do bate-papo com o eterno craque Rivellino, por exemplo, pinça a instrução de Zagallo, há 47 anos, sobre ocupação de espaços. E vai do mais antigo ao moderníssimo quando ouve de Marcelo Bielsa a importância de jogadores que possam executar mais de uma função.

Tite aprendeu na escola que escrever era o melhor meio de mentalizar. Sim, ao fazer colas. Ele escrevia, lia, memorizava, e muitas vezes nem precisava usar nas provas. A mania de anotar se fortaleceu com o tempo. Na era do computador, o técnico da Seleção escreve tudo. Tem uma caderneta para cada uma das últimas três Copas do Mundo, com observações, análises, desenhos táticos. Sem falar na que serve como uma espécie de agenda.

Globo Esporte

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