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SAÚDE: MÉDICA QUE DESCOBRIU RELAÇÃO DA ZIKA COM MICROCEFALIA DIZ QUE PESQUISADORES ESTÃO USANDO RECURSOS PRÓPRIOS PARA ESTUDAR DOENÇA

A médica explicou que as pequisas iniciais foram desenvolvidas em espaços cedidos por ela em sua clínica particular

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A médica paraibana Adriana Melo criticou a falta de investimento nas pesquisas relacionadas ao Zika Virus. Ela disse que não há apoio financeiro para os pesquisadores e alguns, como ela, têm que arcar com despesas com recursos próprios para realizar as pesquisas.

“No ano passado tivemos uma doença que o mundo não conhecia e que a gente precisava de recursos para descobrir. Faça uma pesquisa para saber quantos pesquisadores receberam dinheiro para fazer pesquisa. Estamos fazendo pesquisa por amor. A maior parte dos pesquisadores que está estudando a Zika estão falidos. Estão usando dinheiro do bolso. Esse mês eu estourei meu cheque especial no que eu podia”, revelou.

A médica explicou que as pequisas iniciais foram desenvolvidas em espaços cedidos por ela em sua clínica particular. “O Zika Vírus não caiu na mão de nenhum aventureiro. Eu tenho dois doutorados, tenho pós-doutorados e faço pesquisa há sete anos. Eu pegava minha clínica privada no sábado, fechava para atendimento aos meus clientes e fazia a pesquisa usando meus aparelhos, com a boa vontade de cada um. Mesmo assim, a gente publicava em grandes revistas internacionais, recebia prêmios. A gente sempre fez pesquisa. Percebemos que com o Zika, o espaço ficou pequeno, não dava para funcionar mais dentro de uma sala que eu cedia da minha clínica”, disse.

Para ela, além dos governos, a sociedade precisa se engajar nessa luta. “Qual a minha grande tristeza hoje? As primeiras mães não tiveram chance de usar repelente. Elas não sabiam que quem provocava a doença era o mosquito. O que elas fizeram? Me deixaram furar as barrigas delas para tirar líquido, doaram sangue delas e dos bebês para que outras mães não tivessem. Mas, o que a sociedade deu em troca? Não adianta estar só cobrando do governo. A sociedade deve sim a essas mães. Às vezes eu me pergunto, por que só eu tenho que abrir mão da minha clínica privada, estourar meu cheque especial em R$ 15 mil reais, ficar sem dinheiro para pagar minhas contas, quando tantas pessoas estão sendo beneficiadas com essa pesquisa? Por que outras pessoas não colaboram”, desabafou.

Ela lembrou que é possível doar através da conta de energia elétrica.

A entrevista foi veiculada na Rádio Correio FM.

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