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Brasil possui professores mais mal remunerados do mundo

Mudam os governos e o salário, oh ! (Foto: Reprodução / Rede Globo)

Pesquisas realizadas por diversas instituições internacionais, em períodos distintos dos últimos 4 anos, apontam uma realidade brasileira inconveniente: a profissão de professor paga salários baixos e é uma das menos valorizadas pela sociedade tupiniquim.

Em 2011, num estudo realizado pelo Banco UBS, economistas constataram que um professor do ensino fundamental em São Paulo ganha o equivalente a 10.600 dólares por ano, 10% do que ganha um professor nesta mesma fase na Suíça. Em uma lista de 73 cidades, apenas 17 registraram salários inferiores aos de São Paulo, entre elas Nairobi, Lima, Mumbai e Cairo.

Em setembro de 2014, a consultoria Gems Education Solutions organizou um ranking internacional onde compara o sistema educacional de vários países e o Brasil ficou na vergonhosa última colocação. Os professores brasileiros também são responsáveis por mais estudantes na sala de aula: 32 alunos, em média, para cada orientador, comparado com 27 do Chile, que está segundo lugar, e menos de 8 em Portugal.

Em 2013, a fundação educacional Varkey Gems confirmou, através de pesquisa, a penúltima colocação do Brasil em um ranking mundial sobre interesse dos jovens em seguir a carreira de professor.

A pesquisadora Gabriela Miranda Moriconi, da Fundação Carlos Chagas, aponta algumas razões pelo desinteresse do brasileiro em ser professor: salários baixos, ausência de planos de carreira, instabilidade no emprego devido ao alto percentual de contratações temporárias e também a falta de respeito em sala de aula são alguns dos motivos para a profissão ser uma das menos valorizadas no país.

O atual piso salarial nacional para professores de nível médio, com uma jornada de trabalho de 40 horas, é de 1.697,37 reais.

Eficiência está ligada a salário?

Professores são fundamentais na formação de cidadãos conscientes de seus direitos e deveres sociais, e o ‘futuro da nação’ continua sendo tratado com descaso. A começar pela jornada de trabalho, muitas vezes duplicada ou triplicada pelo profissional, ou ainda, uma segunda ocupação distinta do ensino na busca por um salário digno.

“A sobrecarga prejudica tanto a vida pessoal do profissional como a qualidade do trabalho que ele pode realizar.” – explica Moriconi.

Em 26 de junho de 2014 foi sancionada uma lei ordinária que valerá por 10 anos. Ela estabelece diretrizes, metas e estratégias de concretização no campo da educação. O PNE (Plano Nacional de Educação) prevê que todos os planos estaduais e municipais de Educação devem ser criados ou adaptados em consonância com as diretrizes e metas estabelecidas por ele.

A educação parecia prioridade para a presidente Dilma Roussef, tanto que o lema “Brasil, Pátria Educadora” serviu de slogan na sua reeleição. Porém, a presidente que sancionou o PEN, sem vetos, foi a mesma que cortou 9 bilhões da Educação tão logo foi reeleita.

Contudo, não se pode atribuir a este governo apenas as mazelas de séculos de descaso com o saber dos brasileiros, muito embora tenha havido uma esperança despedaçada para quem acreditou que a pátria educadora, enfim, seria realidade. Alckmin, em São Paulo, também deu sua contribuição ao planejar uma separação de alunos por ciclos de ensino – o que acarretaria transferências de milhares de alunos – e conseguiu atrapalhar o que já não anda bem.

O crescente desinteresse de estudantes por cursos de licenciatura reflete a desesperança com o sistema de ensino. Não há motivação financeira, não há plano de carreira atraente e meritocrático, não há uma consciência pública do papel do professor para a melhoria da saúde, da segurança e da economia…

“Formação e salário de professores não é despesa, é investimento.”, escreveu Daniel Hortencio de Medeiros, professor, numa das frases que melhor resumem como os governos deveriam encarar a situação da Educação brasileira.

E os alunos, que tanto reclamam das condições de suas escolas, também precisam tomar juízo e passar a respeitar seus mestres. Reclamam quando não têm, mas não aproveitam o que lhes é ofertado. “Fazer do limão uma limonada”, já ensina o dito popular.

Precisamos reverenciar os professores com elegância, como faz o imperador japonês, reconhecendo a relevância destes profissionais na formação de um mundo ‘sapiens sapiens’.

 

Com Jornalapagina

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