Treinador acredita que, pelo estilo de jogo, volante pode cumprir no Flamengo papel semelhante ao do jogador do Corinthians. Produtividade, porém, é inferior à de Elias

Willian Arão fez sete gols e deus seis assistências em 2015 pelo Botafogo
O acerto de Willian Arão com o Flamengo – apesar da disputa judicial entre o atleta e o Botafogo ainda não estar concluída – gera no Rubro-Negro a expectativa de ter encontrado um volante moderno, capaz de não somente marcar, mas também de colaborar no ataque de forma decisiva. O técnico Muricy Ramalho pretende dar a Arão uma função semelhante à que Elias cumpre no Corinthians.
Os dados do meio-campista ao longo de toda a temporada de 2015 atestam a percepção do treinador quanto ao estilo de jogo, mas o Espião Estatístico* do GloboEsporte.com ressalta que Elias é mais produtivo, nos números.
O papel de Willian Arão no ano, de fato, sugere que ele tem algumas características parecidas com as de Elias. A começar pelo percentual de participação nos gols de cada um deles pelo Botafogo e pelo Corinthians, respectivamente: Elias fez parte de 18,8% dos gols do time paulista no ano, marcando nove vezes, com mais oito assistências e iniciando jogadas para outros cinco.
Foram, portanto, 22 dos 117 gols corintianos que passaram pelos seus pés. Willian Arão, por sua vez, colaborou com 17,6% dos do Botafogo. Fez sete deles, deu assistências para seis e ajudou a criar outros seis, participando, assim, de 19 do total de 108 marcados pelo alvinegro carioca.
Excluídas as jogadas iniciadas, ou seja, resumindo a análise apenas a participação com gols e assistências, a vantagem de Elias é um pouco maior ainda. Ele participou de 14,5% (17 de 117) dos gols do Corinthians na temporada, enquanto Arão participou de 12% (13 de 108) dos do Botafogo (confira abaixo de onde cada um deles finalizou para gol ou deu assistência).
Assim como o jogador da Seleção, Willian Arão demonstra capacidade de penetração, mobilidade e que também gosta de aparecer como homem-surpresa no ataque. Em 52,6% (10 dos 19) gols de que participou no Botafogo Willian Arão invadiu a área de ataque. Se considerados só os gols feitos por ele próprio, o percentual é de 71,4% (5 dos 7). Das assistências que deu, 66,6% (quatro das seis) foram de dentro da área.
Elias, nesse comparativo, mostra um pouco mais de poder de chegada no setor ofensivo. O volante do Corinthians penetrou a grande área adversária em 54,5% (12 dos 22) dos gols de que participou no ano e o fez em 77,8% (7 dos 9) dos seus próprios gols. Nas assistências que deu, invadiu a área de ataque em 62,5% das vezes (5 das 8), perdendo apenas nessa para Arão.
ELIAS: EFICIENTE E DECISIVO

Elias pode ser considerado mais efetivo que Arão. Afinal, tem 9 gols contra 7 e mais 8 assistências contra 6 do reforço anunciado pelo Flamengo. E além de ser superior nesses números absolutos, ainda tem a ser favor o fato de ter tido menos jogos para fazer o que fez.
Fruto de convocações ou por ter sido poupado – principalmente no Campeonato Paulista -, o fato é que entrou em campo 42 vezes contra 58 jogos feitos por Arão. Diferença que aumenta se considerados só os jogos completos: Elias fez 25 (pois foi reserva em dois e substituído em 15), enquanto Willian Arão fez 55 jogos do ínicio ao fim (foi reserva em apenas um e substituído duas vezes) no ano.
O corintiano também aparece mais em momentos difíceis do que Arão. Este, pelo Botafogo, fez apenas um gol quando o time empatava ou perdia por placar mínimo e não deu nenhuma assistências nessas circunstâncias. Quatro de seus gols saíram quando o time já vencia, quatro também terminando em goleadas alvinegras. Seu gol que, de fato, desequilibrou o marcador, foi justamente o do título da Série B, quando fez o segundo no 2 a 1 sobre o ABC.
Já Elias marcou ou deu assistência em 11 lances em que o Corinthians empatava ou perdia por um gol, levando o time, no momento de seu gol, a empatar uma partida ou passar a ter vantagem no placar.
O uso dos dois pés também é um ponto positivo do jogador que chamou a atenção do Flamengo. Pelo Botafogo em 2015, Arão fez três gols de pé direito e quatro de canhota. Nas assistências, foram quatro de direita, uma de canhota e uma de cabeça. Na comparação, Elias fez mais diferença com sua perna boa, usando menos a esquerda. Os nove gols que fez foram de direita, assim como seis de suas oito assistências, sendo as outras duas de canhota.
*A equipe do Espião Estatístico é formada por: Bruno Marques, Davi Monteiro, Guilherme Marçal, Gustavo Pereira, Igor Gonçalves, Leandro Silva e Valmir Storti.