Em entrevista ao “Debate sem Censura” na tarde de hoje na Rádio Sanhauá, o presidente estadual do PT, Charliton Machado, admitiu que o partido errou em alguns momentos desde sua chegada ao poder. Para ele, o PT não é um partido que nasceu para estar nos escritórios e nos gabinetes, mas sim um partido de lutas, como nas diretas já e na anistia, um partido conhecidos por estar nas ruas lutando pelos movimentos sociais. Porém ao longo do tempo o partido perdeu a identidade e a ligação com os movimentos sociais, achando que o governo daria conta de todas as reivindicações da sociedade.
“O PT nao foi um partido que nasceu para estar rigorosamente em escritórios, nos gabinetes. O PT nasceu no chão da fábrica do ABC paulista, o PT nasceu das lutas populares, o PT nasceu do movimento estudantil, eu quando me filiei ao PT em 86, já votava para governador em Carlos Alberto Dantas que foi do PT, votava em Vanderlei Castro pra deputado Federal, vocês lembram que são dessa geração, e nós vínhamos das lutas, onde estava o PT naquela época? O PT estava nas diretas, antes o PT estava na luta da anistia na década de 70, então nós quando assumimos o poder, somos a revolução nesse país, mas ao mesmo tempo perdemos os fios de identidade com esses movimentos, o PT foi se afastando dos movimentos populares, os movimentos sociais e acha que governo dá conte de todas os agendas da sociedade, não dá! O MST tem uma agenda própria de reivindicar mais reforma agrária, mais qualidade de vida no campo, mais educação, mais saúde. Os movimentos sindicais tem que lutar por salários sim, mesmo quando o governo disser que não pode, faz parte da agenda dos movimentos sindicais, e o PT fez a opção de ser governista e ser menos movimentos sociais, esse é o primeiro erro gravíssimo.” pontuou.
Charliton ainda disse que o PT incorreu nos mesmo erro de partidos de tradição, a exemplo do PSDB, quando não teve coragem de fazer uma reforma política profunda e verdadeira no país, que pudesse melhorar a forma de fazer política no brasil e fortalecer os partidos políticos. Ele afirmou que o PT bebeu da mesma fonte que historicamente condenou, se referindo ao caso do financiamento de campanhas por parte de empresas privadas.
“Foi um erro político, Lula saiu do governo com 88% de aprovação considerado o mais popular presidente da história, e poderia ter feito uma grande reforma no campo político, um plebiscito, chamado a sociedade, pois tinha força no congresso e na sociedade.” disse.