Caso Master

Ministro do TSE e advogado de banqueiro se encontram em hotel após proposta de delação

Um encontro em Brasília entre o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Floriano Marques, e o advogado José Luís Oliveira Lima, conhecido como Juca, despertou atenção nos bastidores do Judiciário nesta semana. A reunião ocorreu em um hotel da capital federal apenas um dia depois de a defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, entregar aos investigadores uma proposta de delação premiada. O caso é sensível, pois envolve investigações sobre fraudes financeiras e cita nomes de figuras importantes da República.

O ministro confirmou que esteve com o advogado, mas garantiu que o contato teve caráter estritamente pessoal. Floriano Marques explicou que os dois são amigos há cerca de duas décadas e já trabalharam juntos no passado. Segundo ele, o assunto da delação surgiu de forma superficial durante a conversa, sem que detalhes técnicos ou sigilosos fossem discutidos. O ministro ressaltou que não possui qualquer envolvimento com o processo do Banco Master e que o encontro durou poucos minutos, ocorrendo de maneira informal.

Pelo lado da defesa, o advogado Juca também negou qualquer irregularidade. Ele classificou como leviana a suspeita de que teria aproveitado o encontro para tratar de termos do acordo de colaboração com o ministro. De acordo com o relato, a conversa aconteceu logo após o advogado sair da academia do hotel e foi breve. Na noite anterior, a equipe jurídica de Vorcaro havia finalizado os documentos que detalham nomes, provas e fatos que o banqueiro se propõe a revelar às autoridades.

A repercussão do encontro se deve também ao perfil do ministro Floriano Marques, visto como um aliado próximo do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A delação de Daniel Vorcaro é aguardada com expectativa, pois pode trazer informações sobre a relação do banqueiro com integrantes das altas cortes do país. Entre os pontos que a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República apuram estão contratos ligados a familiares de magistrados e a influência do banco em diferentes setores do poder.

Fonte: Revista Noroeste – Foto: Montagem/Internet

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