A presença feminina nos espaços de decisão mais estratégicos das empresas brasileiras ainda é limitada. Pesquisa “Panorama Mulheres 2025”, realizada pelo Talenses Group em parceria com o Insper, mostra que 57,4% das empresas com conselho de administração ativo não têm nenhuma mulher entre seus conselheiros.
Entre 61 empresas com conselhos formalmente constituídos, apenas 17% dos assentos são ocupados por mulheres, segundo o levantamento. O índice confirma que a presença feminina nos espaços de decisão estratégica ainda é exceção e registra queda em relação ao levantamento anterior.
O estudo analisou a composição dos conselhos de administração — instâncias responsáveis por definir diretrizes, supervisionar a gestão executiva e monitorar riscos organizacionais.
Entre as 310 empresas participantes da pesquisa, apenas 61 possuem conselhos formalmente estruturados, somando 240 conselheiros. Desses, apenas 41 são mulheres.
Forte desigualdade – Além das 57,4% de empresas com conselhos exclusivamente masculinos, outras 26,2% apresentam sub-representação feminina. Somadas, essas duas categorias elevam para 83,6% o índice de baixa representatividade de mulheres nesses espaços de poder.
Para Carla Fava, diretora executiva do Instituto Talenses, os dados evidenciam um gargalo estrutural na governança. Segundo ela, ampliar a presença feminina nesses espaços exige revisão de processos de indicação e compromisso explícito da alta liderança com metas de diversidade.
“Quando mais da metade das empresas mantém conselhos exclusivamente masculinos, estamos diante de um problema sistêmico. Não se trata de falta de mulheres qualificadas, mas de critérios de escolha que ainda reproduzem redes fechadas e pouco diversas”, afirma Carla Fava.
Já Rodrigo Vianna, CEO da Mappit e membro do movimento “He For She”, destaca que a transformação também passa pelo engajamento masculino. Para o executivo, conselhos diversos ampliam repertório, reduzem vieses decisórios e fortalecem a capacidade competitiva das empresas.
“Diversidade em conselho não é uma pauta feminina, é uma pauta de governança e de negócio. Homens que ocupam posições de poder precisam se posicionar ativamente para abrir espaço e revisar práticas que perpetuam a desigualdade”, enfatiza Vianna.
Ganhos de desempenho – Tradicionalmente tratada como uma pauta de justiça social, a presença de mulheres em conselhos também tem sido associada a ganhos objetivos de desempenho. Estudos acadêmicos e institucionais apontam que conselhos mais diversos tendem a apresentar melhores indicadores financeiros.
Iniciativas globais como o 30% Club, rede que defende a presença mínima de 30% de mulheres em conselhos de administração das 100 maiores empresas de capital aberto, reforçam essa visão ao sustentar que colegiados diversos tomam decisões mais inovadoras e demonstram maior capacidade de adaptação às transformações do mercado.
Foto: Getty Images – Fonte: Portal Terra