A Acadêmicos do Tatuapé, campeã do desfile das escolas de samba de São Paulo em 2017 e 2018, receberá R$ 250 mil do governo federal para o desfile deste sábado, em que homenageará o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). É a primeira vez em mais de sete décadas de existência da agremiação que ela recebe recursos da União.
Do total, R$ 200 mil vieram de um convênio com o Ministério da Justiça, autorizado ainda na gestão do ex-ministro Ricardo Lewandowski, em 11 de agosto de 2025.
O valor faz parte de uma iniciativa de “Apoio a Projetos de Defesa Nacional”, financiada pelo Fundo de Defesa dos Direitos Difusos, composto por multas aplicadas a quem danificou patrimônio público, como nos atos de 8 de Janeiro. Os R$ 50 mil restantes foram repassados pela Fundação Cultural Palmares, vinculada ao Ministério da Cultura.
O MST é parceiro histórico do PT e alvo de críticas da oposição por suas frequentes invasões de propriedades privadas. Dados da Confederação Nacional da Agricultura indicam que, em 2025, o movimento invadiu 171 fazendas, superando o total de 62 propriedades durante o mandato de Jair Bolsonaro.
Segundo Eduardo dos Santos, presidente do Grêmio Recreativo Acadêmicos do Tatuapé, os recursos federais serão aplicados em cursos de formação do elenco, bateria, passistas e aderecistas, atividades realizadas ao longo do ano. Para o desfile, a escola também recebe cerca de R$ 2 milhões da Prefeitura de São Paulo, verba destinada a todas as agremiações.
O governo Lula explica, via Portal da Transparência, que os recursos da rubrica Defesa Nacional têm como objetivo apoiar manifestações culturais, atividades educativas e capacitação voltadas à reparação de danos e à promoção de direitos de populações em territórios com altos índices de violência e vulnerabilidade social.
O relacionamento de Lewandowski com o MST já gerou controvérsia. Em 2023, a CPI do MST tentou convocá-lo para explicar sua visita à Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema (SP), construída pelo movimento com recursos públicos.
Na ocasião, Lewandowski elogiou a organização do povo e a escola: “Visitando a Escola do MST, percebi do que é capaz o povo organizado. A escola é um exemplo disso”, disse, ao lado do líder do MST, João Pedro Stédile.
O samba-enredo deste ano da Acadêmicos de Tatuapé, “Planta para Colher e Alimentar: Tem Muita Terra Sem Gente e Muita Gente Sem Terra”, aborda a história da terra no Brasil, desde a criação do planeta, passando pelos “invasores do além-mar”, as guerras de Canudos e Contestado e a concentração fundiária no país.
Em nota, o MST afirma que a proposta busca ampliar o alcance da reforma agrária popular, transformando a avenida em um espaço de resistência, cultura e denúncia social.
DO -Foto: reprodução Veja; Fonte: Veja