Opinião

A ciencia como arma biológica

Consta que o homem primitivo teria colocado fezes de animais nas flechas para aumentar seu poder letal, e que legionários romanos contaminavam os poços de seus inimigos com carcaças de animais. Em 1346, os tártaros lançavam cadáveres de pessoas mortas por peste para dentro dos muros da cidade sitiada de Caffa.

Em 1763, o exército britânico na América, em guerra com os franceses, mandou cobertores e lenços previamente utilizados num hospital para pacientes com varíola para os índios Delaware, aliados dos franceses.

No século XX, a guerra biológica ganhou foros de ciência. Durante a I Guerra Mundial, os alemães desenvolveram e empregaram diversas armas biológicas, mas o impacto dessas não é conhecido.

Mais recentemente, durante a II Guerra Mundial, tanto os exércitos aliados como os do eixo, empreenderam pesquisas com o intuito de desenvolver armas biológicas. Até onde é possível saber, apenas os japoneses, durante a ocupação da China, teriam empregado armas biológicas em maior extensão.

Na segunda metade do século XX, durante a guerra fria, os Estados Unidos e a então União Soviética, sem dúvida se valendo da experiência acumulada de japoneses e alemães, implantaram projetos para o desenvolvimento de armas biológicas, da mesma maneira que o Canadá e o Reino Unido.

Em 1972, o tratado sobre armas biológicas e tóxicas foi assinado e ratificado por diversos países, mas não todos. Apesar da existência do tratado, pelo menos dez países teriam mantido e expandido seus programas de desenvolvimento de armas biológicas.

Armas biológicas, ameaca real ou fantasiosa? – Armas biológicas são artefatos de controle difícil e de potencial destrutivo desconhecido. Nunca houve um emprego em larga escala dessas armas, salvo talvez pelo exército japonês na Manchuria, e a possibilidade do feitiço virar contra o feiticeiro era, e é, um risco real.

Por um motivo qualquer, houve a dispersão acidental de uma quantidade desconhecida de esporos do B. anthracis. Inúmeros casos e óbitos por antraz em humanos e em animais foram detectados, os humanos tanto da forma inalatória como da digestiva. Esse episódio sugere que os soviéticos teriam conseguido uma forma eficiente para disseminar os esporos do B anthracis por via aérea.

Há evidências do uso de armas biológicas, ainda que limitado, por grupos fanáticos já desde 1984. No Estado do Oregon, Estados Unidos, membros de um grupo religioso, seguidores de Bhagwan contaminaram, intencionai- mente, saladas expostas em buffets de diferentes restaurantes de uma cidade, causando 751 casos de gastroenterite.

O grupo ultranacionalista japonês, Aum Shinrikyo, autor do ataque com gás Sarin no metrô de Tóquio, já havia empregado esporos do B. anthracis, mas sem causar vítimas. O bioterrorismo e o fanatismo religioso são, portanto, uma realidade. Ataques mais graves possivelmente não teriam acontecido pela dificuldade ou mesmo incapacidade de disseminar de maneira eficiente os agentes infecciosos, sem dúvida o aspecto mais complexo no desenvolvimento das armas biológicas.

Reflexap pessoal – A ganância e os interesses unilaterais de alguns países, decorrente da necessidade de poder, têm criado situações na contramão dos valores éticos e fraternos. Espero que os profetas do apocalipse estejam equivocados, na realidade tenho consciência de que Deus é Pai portanto, não permitirá que o mal e o egoísmo prevaleça sobre seus filhos.

Diante dos fatos, e respeitando ao confinamento social, fico a pensar o quanto temos nos deteriorado por falta de respeito e solidariedade ao outro, propiciando o crescimento do mal, através do coronavirus.

Temos caminhado de forma célere para o imprevisível, uma vez que o homem vem se tornando insensível aos problemas sociais e ecológicos, agredindo a mãe terra pela ganância de alguns e a prepotência dos outros.

 

Luiz Carlos Carvalho de Oliveira
Engenheiro Eletricista

 

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